Arqueólogos da University College Dublin (UCD), na Irlanda, descobriram recentemente as ruínas originais do Castelo de Roebuck, uma fortaleza medieval do século XIII mantida intacta sob as paredes e o gesso de um edifício vitoriano.
A edificação do século XIX foi construída diretamente sobre a estrutura antiga, preservando oito séculos de história em pleno campus universitário. Com o achado, publicado pelo arqueólogo Tadhg O’Keeffe na revista Archaeology Ireland, a instituição passa a abrigar o prédio em pé mais antigo em um campus no país.
Até então, a versão histórica oficial indicava que as reformas do século XIX haviam destruído os restos primitivos da construção. A investigação de O’Keeffe, no entanto, provou que os construtores da época reutilizaram a alvenaria antiga como base, cobrindo-a com camadas de revestimento em vez de demoli-la.
A importância da fortaleza redescoberta
Erguido há cerca de 800 anos, o castelo original tinha um porte modesto em comparação à estrutura atual, servindo tanto de residência quanto de fortificação. Ao longo do tempo, abrigou personalidades da elite, incluindo o Lorde Alto Chanceler da Irlanda medieval e o Rei Jaime II, que se refugiou no local em 1689 após ser deposto na Revolução Gloriosa.
No século XVIII, contudo, o edifício encontrava-se em ruínas. Em 1765, o pintor holandês Gabriel Beranger retratou em aquarela o estado de deterioração da construção. As ilustrações minuciosas do artista foram fundamentais para a investigação atual, atuando como pistas visuais para os arqueólogos identificarem a forma e os detalhes estruturais da versão medieval.
O segredo sob as paredes vitorianas
A propriedade passou por restauros em 1790 por Lord Trimleston e por uma grande modernização em 1874, quando adquiriu o estilo gótico vitoriano. Foi justamente nessa última reforma que a estrutura antiga acabou ocultada. Análises recentes no interior confirmaram que o gesso usado para reforçar tetos e paredes cobriu a alvenaria original, técnica comparada pelos pesquisadores ao costume histórico de erguer igrejas sobre antigos templos gregos.
Comparações visuais entre o esboço da versão medieval e fotos atuais revelam que o forte do século XIII era consideravelmente menor do que o edifício visível hoje. Embora sejam necessários estudos adicionais para determinar a data exata da fundação, a descoberta garante a recuperação do registro histórico da região.







