O governo dos Estados Unidos determinou que agências federais civis retirem de seus sistemas os produtos e serviços desenvolvidos pela empresa chinesa de inteligência artificial DeepSeek. A medida também proíbe a contratação de novas soluções da companhia por órgãos abrangidos pela decisão.
A determinação foi publicada na terça-feira (20) pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) e tem como principal justificativa os possíveis riscos à segurança nacional e à proteção de informações governamentais.
Segundo as autoridades americanas, existem preocupações sobre a maneira como a DeepSeek armazena e administra os dados dos usuários. O receio é que informações sensíveis de funcionários e instituições públicas possam ficar acessíveis às autoridades chinesas, em razão da legislação do país asiático.
A proibição não se limita aos aplicativos e serviços oferecidos diretamente pela DeepSeek. Também abrange produtos de terceiros que utilizam tecnologias desenvolvidas pela empresa chinesa.
China reage à decisão dos Estados Unidos
O anúncio provocou uma reação do governo chinês, que criticou as restrições impostas pelos Estados Unidos.
A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou que Pequim se opõe à ampliação do conceito de segurança nacional para justificar medidas contra empresas de tecnologia.
Segundo ela, o governo chinês é contrário à “extrapolação do conceito de segurança nacional e à politização de questões tecnológicas e comerciais”.
“Defenderemos de forma resoluta os direitos e interesses legítimos das empresas chinesas”, declarou.
A nova restrição ocorre em meio à crescente disputa tecnológica entre Estados Unidos e China, especialmente no desenvolvimento de sistemas avançados de inteligência artificial.
A DeepSeek ganhou projeção internacional em janeiro de 2025, quando apresentou um modelo de IA que chamou a atenção do setor por oferecer desempenho competitivo com custos de desenvolvimento e operação relativamente baixos.
O lançamento provocou forte repercussão no mercado financeiro e colocou a startup entre as principais empresas chinesas do setor.
EUA acusam empresas chinesas de copiar modelos de inteligência artificial
Além das preocupações com a segurança de dados, o governo americano tem acusado empresas chinesas de utilizar técnicas para reproduzir capacidades de modelos de inteligência artificial desenvolvidos nos Estados Unidos.
Em abril, o conselheiro de tecnologia da Casa Branca, Michael Kratsios, afirmou que entidades estrangeiras, principalmente da China, estariam realizando operações em larga escala para obter informações de sistemas americanos.
“Os Estados Unidos têm provas de que entidades estrangeiras, principalmente na China, estão conduzindo campanhas de ‘destilação’ em escala industrial para roubar a IA americana”, escreveu Kratsios na rede social X.
A chamada destilação é uma técnica utilizada no desenvolvimento de inteligência artificial que permite treinar um modelo a partir das respostas produzidas por outro sistema mais avançado.
O procedimento pode ser empregado de maneira legítima, mas seu uso sem autorização pode violar contratos, direitos de propriedade intelectual ou outras normas aplicáveis.
Em fevereiro, a empresa americana Anthropic também acusou três laboratórios chineses, DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax, de criar mais de 24 mil contas fraudulentas para gerar aproximadamente 16 milhões de interações com o Claude, seu modelo de inteligência artificial.
Segundo a companhia, o objetivo seria reproduzir parte das capacidades do sistema e utilizar as informações obtidas para desenvolver modelos próprios.
Ainda em fevereiro, a OpenAI apresentou ao Congresso americano acusações semelhantes contra a DeepSeek, alegando que a empresa chinesa teria utilizado técnicas de destilação não autorizadas para aproveitar recursos de seus modelos de inteligência artificial.








