Monique Lafond volta à Globo após 12 anos e fala sobre etarismo

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(FOLHAPRESS) – Aos 72 anos, Monique Lafond volta à televisão com uma constatação sobre o mercado que conhece há mais de seis décadas: há, de fato, pouco espaço para atrizes de sua faixa etária.

A atriz retorna às novelas da Globo nesta segunda-feira (5), em uma participação especial em “Quem Ama Cuida”, e admite que gostaria de encontrar novas oportunidades depois da passagem pela trama. “Hoje em dia, o etarismo realmente existe. Para ter papéis para a minha idade é mais difícil”, afirma à reportagem.

Na novela de Walcyr Carrasco e Claudia Souto, Monique interpretará uma mulher ligada ao passado de Diná (Rosi Campos). A personagem será localizada por André (Henrique Barreira) durante a investigação sobre a história da governanta e terá informações importantes para ajudar Pedro (Chay Suede) a avançar na busca por respostas.

A participação, em dois capítulos, marca o retorno da atriz às novelas da Globo 12 anos depois de “Alto Astral”, exibida em 2014. O convite, segundo Monique, chegou de maneira inesperada. Ela conta que recebeu o contato da produtora de elenco em uma segunda-feira. Em seguida, vieram quatro páginas de texto para cenas que seriam gravadas poucos dias depois.

A atriz, que continua trabalhando como professora de interpretação no Rio de Janeiro, diz que se sentiu diante de uma estrutura muito maior do que aquela que costuma encontrar no teatro. “Foi como se estivesse em um trem a 200 km/h”, compara.

A rapidez do processo também trouxe um desafio: entrar em uma novela já em andamento sem muito tempo para compor a personagem.

Monique afirma que contou com a direção e com o acompanhamento de uma coach durante as gravações. “São trabalhos difíceis de pegar no meio de uma novela andando, porque não tem tempo para estudar”, diz. A experiência, porém, a deixou animada com a possibilidade de voltar a ser vista e abrir novas portas.

“Espero que, com essa vitrine, eu consiga fazer outras coisas em streaming e que estejam vendo que estou viva, inteira e bem, que dá para fazer algo”, afirma.

Depois de tantos anos, ela diz encarar a nova participação em “Quem Ama Cuida” menos como uma volta definitiva e mais como uma porta que voltou a se abrir. “Fiquei lisonjeada”, resume.

A relação com o mercado mudou bastante desde o início de sua carreira. Monique começou a trabalhar ainda criança e se tornou um dos nomes associados à imagem de musa da televisão e do cinema brasileiro nos anos 1970.

Também construiu uma trajetória extensa no cinema, com mais de 50 filmes no currículo. Hoje, ao olhar para aquela fase, afirma que a maturidade trouxe uma relação diferente com a profissão e com a própria exposição.

Ela diz que a beleza, que ajudou a transformá-la em símbolo de sensualidade, também acabou se tornando um obstáculo profissional. Monique conta que muitas vezes sentia que sua aparência se sobrepunha ao seu trabalho como intérprete e que precisou provar que poderia ir além do estereótipo da “gostosona”.

“Eu sou loira, de olho claro, uma coisa meio rotulada de a gostosona ser a burra. Foi um período em que os testes para mim eram mais assim. O primeiro elogio não era ao meu trabalho, era à minha beleza, e isso me encheu o saco. Tinha que provar que, além de bela, eu era uma boa atriz e dava conta do recado”, afirma.

A atriz diz que tentou escapar desse enquadramento de diferentes maneiras, inclusive mudando o visual. “Uma época, cortei o cabelo, colocava blazer para tirar a imagem da beleza. Fiz essa experiência, virei ruiva para ver se conseguia outros trabalhos. E não deu certo. Nunca mudou esse rótulo. Depois voltei a ser loira”, conta.

Para ela, o desafio era conseguir preservar a dignidade dos personagens mesmo quando os papéis ou produções não correspondiam ao que gostaria de fazer. “Eu tentava salvar meu personagem e minha pessoa.”

Na atualidade, segundo ela, as mudanças na televisão também reduziram os espaços disponíveis para atores mais velhos. Ela compara o modelo de novelas de outras décadas, que costumava reunir personagens de diferentes gerações em uma mesma família, com o cenário atual.

“Antes, havia núcleos de história com a família toda, da criança até os avós. E agora sobra pouco para o meu tipo”, afirma.

A atriz, no entanto, não trata o retorno como uma despedida: quer continuar trabalhando e espera que novos autores e produtores a procurem.

“Desejo outras possibilidades, outros canais”, diz. Monique também pretende manter as oficinas de interpretação, atividade que considera uma forma permanente de exercício profissional.

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FONTE: R7 MATERIA E FOTOS.