O deputado Gerardo Milman, que pertence à coalizão Juntos por el Cambio, o principal grupo de oposição ao governo do presidente da Argentina, Alberto Fernández, apresentou um projeto de lei para retirar dois zeros do peso, a moeda do país, em meio ao cenário de alta inflação.
“Diante de um governo que não tem um plano anti-inflacionário, pelo menos evitaremos importar papel-moeda e não traremos às pessoas o desconforto de ter de carregar uma enorme quantidade de cédulas para pagar por coisas mínimas”, afirmou o parlamentar, em entrevista concedida nesta segunda-feira, 30, à rádio La Redonda.
El gobierno decidió cambiar las imágenes de nuestra moneda sin avanzar en la emisión de billetes de mayor denominación. La realidad es que con esos billetes cada día se pueden comprar menos cosas. Por eso presenté un proyecto de Ley para quitarle dos ceros al peso argentino. pic.twitter.com/w2PBFA243e
— Gerardo Milman (@gmilman) May 28, 2022
O plano de Milman estabelece que as notas de 100 pesos argentinos, por exemplo, passariam a circular com o valor de 1 peso. Ele diz que, atualmente, a nota de 100 pesos é “suficiente para pagar uma gorjeta”. A nota de 1.000 pesos, por sua vez, circularia com valor de 10 pesos.
Para Marina Helena Santos, ex-diretora de Desestatização do Ministério da Economia e CEO do Instituto Millenium, a proposta do deputado argentino não é eficaz para combater a inflação. “É preciso aumentar a oferta [produção] ou diminuir a demanda [consumo]”, explicou. “O peso continuará com o mesmo poder de compra. O ideal é reduzir estímulos monetários e fiscais.”
A economista diz ainda que a inflação é uma espécie de “doença” da moeda. Isso ocorre quando as pessoas perdem a confiança no dinheiro de determinado país. “Esse é o caso da Argentina”, observou. “Há políticas de estímulo, tanto monetárias quanto fiscais, que provocam o aumento da oferta. E os cidadãos passam a duvidar do poder de compra da moeda.”
A proposta foi apresentada poucos dias depois de o governo anunciar os planos para renovar a família de cédulas do peso argentino, que entrará em circulação em seis meses. As notas devem estampar a figura de heróis e personalidades da história argentina, em substituição aos animais nativos do país, que haviam sido incorporados em 2016.
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