Dólar comercial opera em queda com fraqueza global da moeda americana | Finanças

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O dólar à vista iniciou a sessão desta terça-feira em queda frente ao real, em um dia em que a moeda americana apresenta fraqueza global. O movimento se dá em meio à menor preocupação dos agentes financeiros com problemas no setor bancário global e com uma perspectiva de que o Federal Reserve (Fed) não aperte ainda mais sua política monetária. Por aqui, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) mostra que a autarquia manteve seu tom duro do comunicado da semana passada, e os investidores devem permanecer em atenção às repercussões do texto. Além disso, o foco se manterá na possível divulgação de detalhes do novo marco fiscal.

Perto das 10h, o dólar comercial operava em queda de 0,53%, a R$ 5,1788, enquanto o contrato futuro da moeda americana para abril recuava 0,42%, a R$ 5,1825. No exterior, o dólar caía 0,41% ante o rand sul-africano, 0,22% ante o peso chileno, mas avançava 0,05% ante o peso mexicano. Já o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, operava em queda de 0,39%, a 102,457 pontos.

Pela manhã de hoje, o real listava entre as oito moedas com melhor desempenho frente ao dólar, numa relação de 33 divisas acompanhadas pelo Valor. Na leitura do economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, o movimento da manhã desta terça é mais reflexo do que ocorre lá fora. “Estamos muito colados com o cenário global, de desvalorização do dólar”, disse. “O setor bancário, que gerou aquele frenesi na semana passada, agora deu uma acalmada, e isso tem ajudado a enfraquecer a moeda americana.”

Na leitura de Velloni, o Federal Reserve (Fed) não deve subir o tom ou manter o rigor em seu aperto monetário, o que tende a dar mais espaço para fraqueza do dólar. “O Fed vem algum tempo receoso em elevar as taxas de juros, porque tem alguns setores que já estão sendo fortemente impactados”, afirmou. “A percepção é que se exagerar na dose do remédio, ele pode matar o doente”, acrescentou.

Assim, o movimento mais baixista do dólar frente ao real é mais resultado da apatia da moeda americana do que de um ímpeto da divisa brasileira. “Estamos e vamos ficar orientados pelo externo porque o investidor estrangeiro segue em compasso de espera para saber como o país vai lidar com sua dívida. Por enquanto, então, devemos sofrer um esvaziamento de captação de recursos”, disse, em referência à espera pelo novo marco fiscal. “E esses ruídos entre governo e BC ajudam a manter certo distanciamento do estrangeiro, que não sabe bem o que vai ocorrer por aqui. Se não tivesse isso, hoje poderíamos estar com o dólar a R$ 5,13.”

— Foto: Andrew Harrer/Bloomberg

FONTE: GLOBO.COM