Em um ano de funcionamento, a Casa Mulher Segura realizou mais de 700 atendimentos em Juiz de Fora. Mantido pela Associação de Defesa da Mulher, da Infância, da Adolescência e do Idoso (Adcuidar), o espaço visa ao acolhimento, proteção e promoção das mulheres vítimas de violência doméstica e de seus filhos. Além de lar temporário, a instituição também oferta atendimento jurídico, psicológico e social às mulheres assistidas.
A Casa Mulher Segura foi inaugurada em 29 de junho do ano passado, em parceria com o Tribunal de Justiça de Minas Gerais e com a colaboração da delegada Ione Barbosa, agora deputada federal. De acordo com a presidente da Adcuidar, Thaty Vilela, o espaço sempre teve grande procura por parte da população, atendendo não só mulheres de Juiz de Fora, mas de toda a região. “As mulheres se sentem muito acolhidas e bem recebidas aqui na Casa Mulher Segura. Elas se sentem seguras, são atendidas com carinho, consideração, passam por todos os níveis de atendimento através de nossas voluntárias”, aponta.
A instituição funciona em uma casa localizada na Avenida Olegário Maciel 167, no Bairro Santa Helena, região Central. O local é equipado com dormitórios para abrigar temporariamente mulheres que precisem do serviço, cozinha e banheiros, além de espaços voltados para os atendimentos, como psicológico, jurídico e de assistência social. Há, ainda, espaço para crianças, onde voluntários cuidam delas enquanto mães ou responsáveis são atendidas.
Mais do que fornecer acolhimento para vítimas de violência, a Casa Mulher Segura também auxilia em outras necessidades, como na oferta de cursos profissionalizantes. “Elas saem daqui, muitas vezes, empregadas, porque nós temos convênios com empresas que ensinam, que dão estágio e empregam essas mulheres”, explica Thaty.
A segurança é um ponto também em evidência na atuação da Casa Mulher Segura. A instituição auxilia as mulheres a conseguirem medidas protetivas, contando também com o auxílio das polícias Militar e Civil em casos necessários. Além disso, a partir de setembro, o espaço deve ofertar um curso de segurança pessoal, por meio do Krav Maga.
A Casa Mulher Segura funciona de segunda à sexta, de 8h às 18h, e aos sábados, de 8h ao meio-dia.
Doações
A Casa Mulher Segura se mantém por meio de doações, sejam de roupas, alimentos ou outros itens que possam ser necessários para o funcionamento do espaço. As roupas, por exemplo, ficam guardadas em um local próprio e são oferecidas às mulheres assistidas, juntamente com produtos de higiene pessoal.
“Muitas vezes, elas chegam sem uma troca de roupa, sem uma escova de dente, sem o absorvente higiênico. Chegam espancadas, não só maltratadas fisicamente, mas psicologicamente arrasadas”, comenta a presidente da instituição. “Nós abrimos a sala, elas escolhem o que elas querem, aí pegam uma roupa para dormir, para usar no dia seguinte, para trocar e tomar um banho. Nós também temos escova de dente e fio dental.”
‘Aqui, nós salvamos vidas’
Conforme a vice-presidente da Adcuidar e da Casa Mulher Segura, Maria de Lourdes Cavalieri, o espaço é o único que oferece este tipo de acolhimento para as vítimas de violência em Juiz de Fora, com todos esses serviços e atendimentos ofertados.
“Tem uma diferença bem grande entre abrigamento e acolhimento. O abrigamento seria uma casa isolada, sem endereço fixo, com segurança, sem ninguém saber o endereço, porque não pode por questão de segurança. A nossa casa é para uma emergência. Às vezes, até a própria polícia traz pra cá porque não pode ficar dormindo na delegacia e, de repente, ela não pode ir em casa naquela hora para pegar roupas.”
Como destacado por Maria de Lourdes, o trabalho desenvolvido precisa ser propagado. “A mulher precisa ter o conhecimento de que existe uma casa onde ela vai ter um atendimento, um acolhimento inicial em relação ao que ela está sofrendo. Então, a divulgação da Casa Mulher Segura é muito importante.”
Conforme a presidente da instituição, Thaty Vilela, o objetivo principal do núcleo é salvar vidas. “Aqui, nós salvamos vidas e vamos continuar salvando porque não é só um acolhimento físico. Aqui nós acolhemos as mulheres de coração”, diz, complementando que o espaço assiste mulheres de todas as idades e classes sociais.
Adcuidar
A Adcuidar foi fundada em 2021 pela delegada Ione Barbosa. O propósito da instituição é proteger e cuidar de pessoas em situação de vulnerabilidade, prestando atendimento psicológico, assessoria jurídica, requerimento de medidas protetivas e todo tipo de ajuda que possa contribuir no acolhimento a uma vítima.







