Liga o laser! Como os Kings se transformaram na improvvel equipe sensao da NBA :: ogol.com.br

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Poucos poderiam imaginar que o Sacramento Kings seria uma das melhores histórias da temporada da NBA. Há uma década e meia sem chegar aos playoffs, a equipe da Califórnia se acostumou (de forma justa) a ser chacota. Mas em 2022/23, com uma verdadeira revolução, a franquia parece ter encontrado o caminho, quem diria, das vitórias.

Depois de perder nos quatro primeiros desafios, a equipe comandada pelo novo técnico Mike Brown soma 14 triunfos e seis derrotas desde então. Essa sequência é inferior apenas a do Boston Celtics, equipe de melhor campanha na temporada, com 21 vitórias e seis reveses. 

A luz

Logo nos primeiros jogos da temporada, os Kings anunciaram uma novidade: um laser que seria acionado toda vez que a equipe vencesse, seja em casa ou longe de Sacramento.

De acordo com a NBC Sports, a franquia buscou a inspiração para o laser logo ao lado. O presidente de operações, John Rinehart, usou como referência o “Big A”, uma enorme placa situada na área de estacionamento do Angel Stadium, a casa do Los Angeles Angels. Toda vez que a equipe vence, luzes se acendem para informar às pessoas que a equipe foi vitoriosa naquela noite.

A primeira reação da internet, claro, foi fazer piada com a equipe detentora do maior jejum da história da NBA sem chegar aos playoffs. Lá se vão 16 anos e, muito do que faz parte da vida moderna, sequer havia sido inventado ou ainda estava em processo de desenvolvimento.

Liga o laser!

Fato é que, com quase dois meses de disputa, o Sacramento Kings não só tem “jogado de igual para igual”, como tem vencido partidas contra os principais adversários da poderosa Conferência Oeste e da NBA como um todo.

Os atuais campeões Warriors, o Heat, os Cavaliers, os Nets, os Lakers, os Grizzlies, e os Clippers foram algumas das equipes que sentiram o poder do laser.

Conhecida por ter uma das bases de fãs mais leais da liga, a cidade de Sacramento comprou a ideia de um novo Kings e já transformou a frase “Light The Beam” em um verdadeiro mantra.

Em triunfo diante dos Clippers, em Los Angeles, a torcida até promoveu uma pequena invasão ao Staples Center e entoou o cântico nos  instantes finais da partida. E não parou por aí. Depois de outro resultado positivo, o ala-armador Kevin Huerter fez uma publicação nas redes sociais com os dizeres “Beam Team”, algo como o time do Laser. Rapidamente o novo apelido ganhou força e torcida e jogadores abraçaram o novo momento. 

A mentalidade

Obviamente que só as vitórias trariam substância ao pano de fundo do laser e dos gritos da torcida. A mudança veio com uma grande reformulação no comando técnico e no plantel para 2022/23.

Na última janela de trocas, O GM Monte McNair deu início a esse processo com a troca que enviou a grande promessa Tyrese Haliburton aos Pacers e teve em retorno o duas vezes all star Domantas Sabonis.

Da última temporada para essa, nove jogadores permaneceram no plantel, mas adições importantes chegaram. O ala-armador Kevin Huerter veio do Atlanta Hawks, em troca de uma escolha protegida, Malik Monk estava livre no mercado e trocou os Lakers pelos Kings, e no draft, Sacramento selecionou o promissor Keegan Murray,

Com os “franchise players” definidos em De’Aaron Fox e Sabonis, notadamente jogadores longe de serem especialistas nos tiros de três, a equipe buscou rodear a dupla com bons arremessadores e conseguiu justamente isso com o trio citado acima.

Faltava também uma mudança na prancheta. Depois de fraca experiência com Luke Walton e Alvin Gentry, os Kings foram ao Golden State buscar a peça que faltava: o assistente com passagens como técnico principal por Cavaliers e Lakers, Mike Brown.

Conhecido por sua ênfase no sistema defensivo, o treinador, curiosamente, ajeitou primeiro o outro lado da quadra. Com 118,8 pontos/jogo, o Sacramento possui o segundo melhor ataque em toda a NBA, com um jogo repleto de trocas de passes, corta-luzes fora da bola, e Sabonis como um verdadeiro pivô-armador.

A defesa não foi esquecida e, depois de um início desafiador, as métricas defensivas já mostram que a equipe californiana também está se ajustando na retaguarda. Nos últimos cinco jogos, os Kings possuem a quinta melhor classificação defensiva da NBA com 104,1 pontos sofridos a cada cem posses de bola.

Na última vitória diante dos Cavaliers, que só haviam perdido um jogo em casa até então, Sacramento obteve uma corrida de 19 a 0 nos últimos cinco minutos. De quebra, a comissão técnica dos Kings deu mais uma demonstração de unidade na equipe e presenteou o pivô Domantas Sabonis.

Com atuação de 18 pontos, 18 rebotes e 6 assistências, o lituano ainda contribuiu com três roubos de bola e dois tocos, sendo eleito o DPOG – O Jogador Defensivo da Partida. Sabonis ganhou uma corrente personalizada e, em entrevista coletiva, o técnico Mike Brown brincou dizendo que como o dono da equipe Vivek Ranadivé é bilionário, essa é mais uma ideia para “gastar o dinheiro do patrão”.

Seja fora ou dentro das quadras, os Kings da temporada 2022/23 em nada se parecem com a equipe que nos acostumamos a ver pela última década e meia. A luz se fez em Sacramento… ou melhor, o laser!



FONTE: TRIBUNA DE MINAS