Muitas questões foram levantadas após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, sobretudo em relação a Neymar. O camisa 10 da seleção brasileira teria motivação para a sequência da temporada com a camisa do Paris Saint-Germain? A resposta vem sendo dada dentro de campo.
Neymar, depois de duas temporadas, enfim voltou a bater a marca de 30 participações em gols. O brasileiro contribuiu com um gol e duas assistências na impiedosa goleada de 7 a 0 dos parisienses sobre o modesto Pays de Cassel – a grande estrela do jogo foi Mbappé, autor de cinco gols.
O desempenho de Neymar pela Copa da França engrossou os já bons números do atacante em 2022/23. Agora, o craque vem com 16 gols e 14 assistências, totalizando 30 participações em gol. A última vez que Neymar ultrapassou essa marca foi em 2018/19, com 23 gols e 10 assistências.
Até poucos anos, alcançar 30 participações em gols em uma temporada não era um fato tratado como extraordinário para Neymar. Entre 2010 e 2020, o atacante bateu essa marca todos anos, com bastante folga em diversas oportunidades. Na verdade, em todos esses anos, o craque ultrapassou as 40 participações em gol por clubes, exceto em 2011, que foram 33, e em 2019/20, também 33.
Pelo Santos, Neymar chegou a ter mais de 60 participações em gol em 2012 (43 gols + 20 assistências). Na Europa, pelo Barcelona, a melhor temporada foi com 55 (31 gols + 22 assistências); enquanto pelo PSG o auge foi no primeiro ano, com 45 participações (28 gols + 17 assistências).
O problema parisiense
Por enquanto, Neymar disputou 24 jogos nesta temporada pelo PSG. Com isso, se fatores externos não atrapalharem o brasileiro mais uma vez, ele tem tudo para fazer desta a temporada com mais jogos desde que se mudou para a França – e aí está também a explicação da baixa na participação de gols.
O número máximo de partidas que Neymar fez em uma temporada pelo PSG foram 31, muito pouco comparado ao período de Santos e Barcelona. No Peixe, o menor número de jogos em um ano foi no de estreia, 2009, com 48. O número máximo foi em 2010, 60. Pelo Barça, o atacante também sempre ultrapassou os 40 jogos.
Em um exercício de imaginação básico, é possível projetar que o PSG ainda joga, em 2022/23, no mínimo, mais 23 vezes. Faltam as 19 partidas do segundo turno do Campeonato Francês, duas de mata-mata pela Liga dos Campeões e uma pela Copa da França. Assim, para Neymar alcançar sua temporada mais prolífica em quantidade de jogos pelo clube, basta entrar em campo mais sete vezes, ou seja, em menos de um terço dos confrontos a serem disputados até julho.
Nessa balança de jogos, gols e assistências, o que é possível perceber sobre Neymar é que ele não diminuiu a influência nos jogos. Mesmo entre 2019 e 2022, quando não alcançou as 30 participações em gol, o craque teve média de 0,88 participação em gol/jogo. Na carreira como um todo essa média é ligeiramente melhor, de 0,96, com 434 gols e 245 assistências em 703 jogos.
No fim, para Neymar, o que mais influencia para uma falsa percepção de sua queda de rendimento é, simplesmente, o fato de pouco jogar. Seus semelhantes, os craques com quem concorre aos prêmios máximos, Mbappé, Messi e mesmo o veterano Cristiano Ronaldo não perdem tantos jogos assim. Enquanto o brasileiro teve como 31 seu máximo de jogos nos últimos cinco anos, o mínimo para CR7 foi 38, para Mbappé 37 e Messi 34. Dá para entender a diferença.






