G20: Yellen pressionará China sobre dívida do Sri Lanka e por sanções à Rússia | Mundo

0
23

A secretária do Tesouro dos Estados Unidos, Janet Yellen, pediu na quinta-feira soluções “significativas” para os problemas da dívida de países como o Sri Lanka, instando a China, o principal credor, a participar. Ela deu declarações antes de uma importante reunião do Grupo dos 20 (G20) em Bangalore, na Índia.

Yellen estava conversando com repórteres na cidade do sul da Índia antes do início de uma reunião de dois dias de ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais do G20 na sexta-feira (noite de quinta-feira em Brasília).

Janet Yellen — Foto: Patrick Semansky/AP

“Precisamos trabalhar juntos para aliviar o excesso de dívida que está atrasando muitos países”, disse ela. Espera-se que o problema da dívida seja um tema quente na reunião, depois de um ano em que três países do sul da Ásia – Sri Lanka, Paquistão e Bangladesh – recorreram ao Fundo Monetário Internacional (FMI) em busca de ajuda.

Yellen observou que o FMI disse que cerca de 55% dos países de baixa renda estão próximos ou em situação de endividamento. “Continuarei pressionando para que todos os credores oficiais bilaterais, incluindo a China, participem de tratamentos significativos da dívida para países em desenvolvimento e mercados emergentes em dificuldades”, disse ela.

O mais urgente, disse Yellen, “é a necessidade de fornecer o tratamento da dívida à Zâmbia e comprometer-se com garantias de financiamento específicas e credíveis para o Sri Lanka.” No mês passado, a China ofereceu uma moratória ao Sri Lanka, mas sua relutância em fornecer garantias mais significativas é vista como um obstáculo importante para os esforços de Colombo para liberar um resgate de US$ 2,9 bilhões do FMI.

“Também discutirei a coordenação internacional para a reestruturação da dívida dos países de renda média”, disse ela, ao listar outros temas que pretende abordar, como mudanças climáticas e evolução dos bancos multilaterais de desenvolvimento.

Ela enfatizou que o apoio contínuo e robusto à Ucrânia também estará no topo de sua agenda para a reunião, que começa no aniversário da invasão da Rússia. “Acreditamos que é fundamental que o FMI avance rapidamente em direção a um programa totalmente financiado para a Ucrânia.”

Yellen disse que quando o presidente russo, Vladimir Putin, lançou seu “ataque brutal” há um ano, alguns acreditavam que Moscou garantiria uma vitória rápida e decisiva sobre Kiev. O próprio Putin pensou que conseguiria uma vitória “a um custo mínimo”, nas palavras do diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA), Bill Burns.

“Um ano depois”, disse Yellen, “a guerra de Putin foi um fracasso estratégico para o Kremlin.”

Os Estados Unidos forneceram mais de US$ 46 bilhões em segurança, assistência econômica e humanitária à Ucrânia, disse ela. Nos próximos meses, Washington espera fornecer outros US$ 10 bilhões em apoio, acrescentou ela.

Questionada sobre o aprofundamento dos laços da China com a Rússia, ela respondeu: “Deixamos claro que fornecer apoio material à Rússia ou assistência com qualquer tipo de evasão de sanções sistêmicas seria uma preocupação muito séria para nós.

“E certamente continuaremos a deixar claro ao governo chinês e às empresas e bancos em suas jurisdições sobre quais são as regras em relação às nossas sanções e as sérias consequências que eles enfrentariam ao violá-las”.

Mas com relação à dívida, ela estava otimista de que a China seria construtiva e entenderia as necessidades dos países em dificuldades. “É importante que a China coopere e venha à mesa” para nações como Sri Lanka e Zâmbia, disse ela.

“As conversas que tive com meus colegas chineses foram construtivas”, disse ela, “e tenho esperança de que veremos progressos nos próximos meses”.

Separadamente, ministros das finanças e presidentes de bancos centrais do Grupo das Sete principais economias industrializadas (G7) se reuniram em Bangalore sob a presidência do Japão, reafirmando seu “apoio inabalável” à Ucrânia e unidade na condenação da guerra “ilegal, injustificável e não provocada” da Rússia na véspera de seu aniversário de um ano.

A reunião também contou com a participação on-line do ministro das Finanças ucraniano, Serhiy Marchenko, e dos chefes do FMI, do Grupo do Banco Mundial, da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico e do Conselho de Estabilidade Financeira.

“Continuamos determinados a promover a cooperação internacional para defender o multilateralismo e enfrentar as dificuldades econômicas globais causadas pela guerra da Rússia, nos alimentos e energia, que são sentidos desproporcionalmente por países de baixa e média renda”, disseram os ministros do G7 em uma declaração após a reunião.

O grupo aumentou seu apoio econômico à Ucrânia este ano para US$ 39 bilhões e pediu o programa do FMI para o país devastado pela guerra até o fim do próximo mês, segundo o comunicado.

Respondendo a perguntas em uma entrevista coletiva após a reunião, o ministro das Finanças do Japão, Shunichi Suzuki, disse que o G7 está “unido” para continuar com as sanções contra a Rússia para reduzir sua capacidade de financiar a guerra. “Nós iremos monitorar a eficácia das sanções atuais e veremos como avançar com outras ações”, acrescentou.

A declaração disse que o G7 também continuará a trabalhar em conjunto e com seus parceiros para impor suas sanções e “impedir qualquer tentativa de evadir ou contornar as sanções”.

“Neste contexto, apelamos a outros países para se juntarem às nossas sanções à Rússia”, acrescentou.

Observando que os países de baixa e média renda foram afetados desproporcionalmente pela guerra da Rússia e pelos desafios globais associados, disse que as nações do G7 “se comprometem a intensificar nossos esforços e contribuir com a agenda do G20 para apoiá-los”.

FONTE: GLOBO.COM