Após disparar mais de 15% na véspera, o bitcoin (BTC) manteve os ganhos nesta terça e ainda acelerou levemente as cotações rumo ao maior patamar do ano — US$ 24.941, de 19 de fevereiro — e em seguida ao teste dos US$ 25 mil, visto como um importante patamar de resistência de preço.
O rali ocorreu após autoridades dos EUA anunciarem medidas de suporte para conter a crise bancária e com a expectativa de um aperto menos agressivo nos juros pelo Federal Reserve. Investidores que apostavam na baixa foram pegos de surpresa e tiveram que correr para obter o token e desfazer essas operações, alimentando ainda mais a valorização, num movimento típico de “short squeeze”.
O ether, moeda nativa da rede Ethereum, subiu 8% e superou a casa de US$ 1.700, mas depois desacelerou o ritmo de valorização. Com o movimento, o valor total das criptomoedas voltou a US$ 1,12 trilhão, maior patamar do ano.
Para analistas, no entanto, o bitcoin terá dificuldades para avançar ainda mais enquanto o quadro para a política monetária não ficar mais claro. O segmento sofre forte pressão de reguladores, particularmente em relação às stablecoins, após uma das mais estáveis, a USDC, perder a paridade com o dólar durante o final de semana.
Para Fernando Pereira, analista da Bitget, apesar do otimismo recente, o bitcoin tem uma dura batalha para travar durante os próximos dias em torno dos US$ 25 mil.
“É a média móvel de 56 períodos semanais. Sendo uma das resistências mais fortes da principal criptomoeda do mercado, o rompimento dela costuma identificar uma reversão majoritária de tendência. Precisamos que o preço se mantenha nos patamares atuais para vermos esse sinal gráfico de reversão”, disse.
Para André Franco, chefe de pesquisa do MB, alguns investidores acordaram para o benefício do bitcoin de estar longe dos riscos do sistema financeiro tradicional.
“A postura do Fed de salvador do mercado pode ter feito alguns investidores acordarem para a real utilidade do bitcoin, que é o de não estar ligado ao sistema financeiro tradicional”, disse.
Perto das 8h50 (horário de Brasília), o bitcoin era negociado a US$ 24.809,83, com alta de 12% nas últimas 24 horas, segundo o CoinGecko. Já o ether era cotado a US$ 1.690,48, com ganho de 6,7%. A USDC valia US$ 0,99. Em reais, o bitcoin estava em R$ 129.000 (alta de 12,91%) e o ether em R$ 8.769,99 (+7,52%), de acordo com o MB.
Emissora da USDC, a Circle conseguiu recuperar a paridade após queimar 314 milhões de tokens, segundo a empresa de análise de blockchain Nansen. Na sexta, a empresa revelou que tinha US$ 3,3 bilhões de um total de US$ 40 bilhões das reservas do USDC depositadas no Silicon Valley Bank.
A Binance anunciou que vai converter o recursos remanescentes de seu fundo de US$ 1 bilhão de recuperação da indústria de criptoativos que estavam em stablecoins para bitcoin, ether e seu token nativo BNB.







