Dólar opera perto da estabilidade ante o real após Copom e Fed | Finanças

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O dólar comercial opera em torno da estabilidade, com viés de queda, em dia em que os agentes financeiros seguem avaliando o último comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central e a decisão do Federal Reserve (Fed). Por aqui, sem a sinalização de um possível início de ciclo de corte da Selic, o diferencial de juros pode continuar sendo motivo para beneficiar o real. Já no exterior, a maioria das moedas apresenta força frente ao dólar, mesmo com o presidente da autoridade monetária americana mantendo um discurso duro ontem, ainda não sinalizando espaço para afrouxamento de sua política.

Por volta das 9h35, o dólar comercial operava em baixa de 0,01%, a R$ 5,2354, enquanto o contrato futuro para abril recuava 0,11%, a R$ 5,2450. No exterior, hoje o dólar segue fraco e das 33 divisas acompanhadas pelo Valor, apenas o peso colombiano, a lira turca e o iene japonês recuam frente ao dólar. Já o índice DXY recuava 0,08%, a 102,257 pontos.

Ontem, em seu comunicado de decisão de juros, que manteve a Selic em 13,75% ao ano, o Copom manteve um tom mais “hawkish” [favorável a política monetária mais apertada, citando em vários momentos a preocupação com a desancoragem das expectativas de inflação e elevando sua projeção para a alta de preços neste e no próximo ano. Para Luis Felipe Laudisio, operador de renda fixa da Warren Renascença, o comunicado surpreendeu positivamente, mas os ataques seguem fortes, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmando que o comunicado é “preocupante”. “O real deve seguir se valorizando, mesmo em meio à forte artilharia que deve prosseguir nos próximos dias”, disse.

O banco espanhol BBVA tem outra leitura. Para ele, as críticas abertas de funcionários do governo à política de juros do banco central e o atraso na apresentação do plano fiscal estão naturalmente criando alguma angústia entre os investidores e pressionando a moeda brasileira, que tem se beneficiado menos que seus pares em momentos de fraqueza global do dólar. “O BC persistentemente ‘hawkish’ apóia o carregamento do real, mas impede a melhora na entrada de fluxo de ações, eventualmente limitando o movimento. Ainda preferimos exposições de real na extremidade superior da faixa de dólar a R$ 5,05 – R$ 5,45.”

— Foto: Kiyoshi Ota/Bloomberg

FONTE: GLOBO.COM