O retorno da T-note de dois anos opera firme acima de 5%, na medida em que o mercado embute nos preços um cenário de juros ainda mais altos nos EUA. Os dados da economia americana, assim, serão fundamentais para consolidar ou desfazer a precificação do mercado.
E a bateria de dados relevantes já começa hoje, com o relatório da ADP sobre criação de postos de trabalho no setor privado dos EUA, às 10h15. O consenso aponta para geração de 205 mil empregos. Ao meio-dia, é o relatório Jolts sobre vagas abertas, referente a janeiro, que deve concentrar as atenções dos agentes. Também ao meio-dia começa o depoimento de Powell na Câmara dos Representantes e, às 16h, o Fed ainda divulga o Livro Bege, documento que retrata as condições sobre a economia americana em cada um dos distritos do banco central americano.
A sensibilidade dos mercados à discussão sobre os rumos dos juros nos EUA pode ser comprovada pela forte movimentação nos preços da curva de rendimentos dos Treasuries. Nesta manhã, o retorno da T-note de dois anos subia 2,2 pontos-base, para 5,036%, enquanto a taxa da T-note de dez anos avançava apenas 0,8 ponto-base, para 3,978%. No câmbio, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar contra uma cesta de outras seis moedas principais, subia 0,09%, aos 105,707 pontos.
O debate entre importantes agentes de mercado sobre o ponto final do ciclo de aperto monetário do Fed esquentou ainda mais após as declarações de Powell. E, agora, até mesmo algumas assets importantes apontam para a chance de juros mais altos do que o esperado. Ontem, o diretor de investimentos (CIO) de renda fixa da BlackRock, Rick Rieder, apontou que há uma “chance razoável” de que o Fed elevar os juros para 6% “e, em seguida, mantê-los [inalterados] por um período prolongado para desacelerar a economia e levar a inflação para um nível perto de 2%”.
E, enquanto o mercado acompanha nos detalhes o desempenho da economia americana, os ativos brasileiros novamente devem acompanhar o exterior. Cabe apontar, porém, o otimismo relativo dos agentes em relação ao arcabouço fiscal e à aproximação entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central, que ontem gerou um desempenho relativo melhor dos ativos brasileiros em relação aos pares e aos mercados desenvolvidos. Os juros futuros deixaram o movimento dos Treasuries em segundo plano e caíram e, no câmbio, o dólar conseguiu se manter abaixo de R$ 5,20.
A agenda doméstica desta quarta-feira não traz grandes novidades. Assim, declarações de integrantes da equipe econômica devem ser observadas com atenção, no momento em que o arcabouço fiscal, a reforma tributária e a nomeação do próximo diretor de Política Monetária do Banco Central estão no foco dos agentes.
Jerome Powell, presidente do Federal Reserve — Foto: Jacquelyn Martin/AP







