O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu nesta quarta-feira (28) que sua segurança será feita pelo que está sendo chamado de “modelo híbrido”, ou seja, com a coordenação do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), órgão vinculado aos militares, mas possível “cessão” de integrantes da Polícia Federal (PF). Apesar do termo, a solução encontrada representou uma derrota para a PF.
Isso porque a Polícia Federal disputava com os militares, nos bastidores, pelo comando da segurança pessoal do presidente. Neste sentido, a PF pretendia assumir de vez toda a segurança da Presidência da República – o que inclui, entre outras coisas, o Palácio do Planalto, eventos com a participação do presidente e o entorno do mandatário, atualmente a cargo do GSI.
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O anúncio foi feito pelos ministros da Casa Civil, Rui Costa, e Justiça, Flávio Dino, após reunião sobre o assunto que aconteceu no Palácio do Planalto. O encontro envolveu não só o presidente Lula, mas também o atual ministro do GSI, general Marcos Antonio Amaro, e o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues.
Apesar de indicarem a preferência de Lula pelo GSI, como forma de não melindrar os militares, os ministros adotaram respostas contraditórias acerca de como se dará a eventual participação de policiais da PF no esquema de segurança.
“Conforme previsto, de forma consensual o presidente arbitrou por modelo híbrido para garantir segurança presidencial. A solução encontrada garante a materialização desse desejo do presidente que é formação de um time. A coordenação institucional da segurança é do GSI. De forma integrada terá participação da PF. Podem ser convidadas pessoas da PF, Polícia Civil e outras”, disse Rui Costa.
Ainda assim, segundo o Valor apurou, a PF não aceitará se subordinar institucionalmente ao GSI, órgão comandado por militares. Há um forte sentimento na corporação, e até entre auxiliares do presidente Lula, de que não cabe mais uma subordinação civil a um comando militar na segurança presidencial. Pela proposta inicial da cúpula da PF, haveria militares subordinados a civis, não o contrário.
Sobre isso, Dino também foi ambíguo. “Historicamente, o GSI faz esse trabalho. Caberá ao presidente, ao vice [Geraldo Alckmin] e outras pessoas escolher suas equipes pessoais de segurança. Temos estrutura interna na PF que já funciona e que estará à disposição. Modelo é híbrido: GSI terá caráter militar e civil. PF participará institucionalmente e com a cessão de policiais ao GSI, a critério de Lula e Alckmin”, ponderou sem explicar exatamente quem ficará subordinado a quem.
Por fim, Dino afirmou que, com essa decisão, a Secretaria Extraordinária de Segurança Imediata, que foi criada de forma temporária, será extinta. A secretaria havia sido criada em de janeiro, após os atos golpistas do dia 8, e colocou a segurança pessoal do presidente nas mãos da Polícia Federal, atribuição que no Brasil sempre foi dos militares.
Ministro da Casa Civil, Rui Costa — Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil






