Existe uma lei universal das redes sociais: nenhuma nova rede terá sucesso ao se limitar a copiar o que veio antes. É necessário ter algo diferente para cativar a atenção e desencadear novas formas de comportamento, sejam as mensagens que desaparecem do Snapchat, os painéis de imagens do Pinterest ou os vídeos com rolagem do TikTok.
Se avaliado por esse padrão, deve-se considerar o Threads, o desafiante do Twitter que a Meta lançou nesta semana, fadado ao fracasso. Um aplicativo autônomo anunciado como prolongamento do Instagram, o Threads é uma versão reduzida ao essencial de um microblog que, por si, já tem poucos atributos que o distinguem.
Por tudo isso, o ataque da Meta ao Twitter acaba de se tornar a disputa mais interessante nas redes sociais desde que o Google+ tentou desbancar o Facebook. Para evitar o fracasso abjeto sofrido pelo Google, a Meta, comandada por Mark Zuckerberg, conta com três coisas — embora seja pouco provável que elas, sozinhas, sejam suficientes.
Em primeiro lugar, o novo serviço começa respaldado no poder da rede Instagram. Permitir que as pessoas façam o login com uma conta no Instagram e tragam consigo seus contatos preexistentes pode ajudar a dar a partida na nova rede. Mas só a maior facilidade de se movimentar no Threads não dará às pessoas motivo para voltar.
O vínculo com o Instagram também sugere outra possibilidade. O Threads poderá ser um lugar para um tipo diferente de conversa. Se o Twitter é onde jornalistas, políticos e “nerds” se reúnem para brigar em torno das notícias do dia, talvez o clima mais criativo do Instagram possa transformar o Threads no que a Meta chama de “um lugar positivo e criativo para as suas ideias”. Mas são os usuários que resolvem para que fim uma rede será usada, não seu dono.
Uma segunda esperança é a de que o polêmico controle de Elon Musk sobre o Twitter tenha criado um público ávido por uma alternativa. Sua campanha em favor de relaxar as restrições à livre manifestação de ideias e à redução dos esforços de moderação de conteúdo da plataforma levou muitos usuários a reclamar que a rede se tornou um ambiente mais hostil. As excentricidades do próprio Musk postadas no Twitter azedaram a opinião de muitos usuários.
A maior rigidez de controles de conteúdo pode ser um verdadeiro ponto de diferenciação para o Threads, embora um tanto irônico, em vista do próprio histórico da Meta de falhas de moderação. Mas, apesar das reclamações, o Twitter ainda parece exercer atração gravitacional sobre seus usuários. Talvez isso ocorra por não haver qualquer alternativa viável, embora também possa decorrer da inércia.
O terceiro — e mais intrigante — argumento de venda introduzido pela Meta é que os usuários acabarão conseguindo se comunicar com pessoas de outras redes, ao ler postagens ou ao permitir que suas próprias postagens naveguem além do próprio Threads.
A nova postura da Meta no campo da interoperabilidade pode refletir uma convicção de que sua velha maneira de fazer negócios deixará de funcionar. Tentar a interoperabilidade em um novo aplicativo, distante de suas redes principais preexistentes, pode ser uma boa forma de fazer um experimento. Ou pode ser uma aposta de que a Meta espera poder dominar a nova constelação de serviços interoperáveis.
Promover a interoperabilidade pode também ser uma maneira de quebrar o domínio absoluto do Twitter sobre a prática de postar microblogs. Algum dia, se outros sites adotarem a ideia e os usuários venham a esperar por ela, o Twitter poderá ser obrigado a abrir sua rede, perdendo assim parte de seu controle sobre a atenção de seus próprios usuários. Mas essa é uma esperança de longo prazo: o Threads precisa de motivos para que um grande número de usuários opte por seu serviço aqui e agora.
Tudo isso torna o ataque da Meta ao Twitter a rivalidade tecnológica mais fascinante deste ano. Mas isso não muda o fato mais significativo sobre o Threads: ele está iniciando a vida na condição de não muito mais do que um clone rudimentar. O maior fracasso do Twitter em seus 17 anos de história decorre de não fazer o suficiente para se adaptar e para fazer seu serviço evoluir a fim de captar um público maior. Musk prometeu mudar isso.
A verdadeira interrogação para a Meta será se ela conseguirá adaptar seu novo serviço com a rapidez suficiente para ultrapassar Musk, encontrando novas maneiras de engajar um público com ideias que não sejam uma simples cópia. Uma coisa é certa: não será suficiente ficar impassível e esperar pela implosão do Twitter.
(Tradução de Rachel Warszawski)







