As bolsas de Nova York encerraram o pregão desta quarta-feira (2) com perdas de até 2%, desencadeadas pela decisão da Fitch Ratings de rebaixar a nota de crédito dos Estados Unidos de ‘AAA’ para ‘AA+’. Uma forte leitura do relatório de empregos da American Data Processing (ADP) para o mês de julho também pressionou o apetite por risco em Wall Street.
O índice Dow Jones fechou em queda de 0,98%, a 35.282,52 pontos, o S&P 500 recuou 1,38%, a 4.513,39 pontos, e o Nasdaq cedeu 2,17%, a 13.973,45 pontos.
No comunicado em que anunciou o rebaixamento do rating máximo dos EUA, a Fitch afirmou que espera deterioração do quadro fiscal do país, cita o aumento do déficit e da dívida pública e aponta para os embates sobre o teto do endividamento como um fator que contribuiu para a decisão.
A maioria dos analistas avalia que, embora afete o apetite por risco do mercado global no curto prazo, o impacto do rebaixamento da Fitch não deve ser duradouro ou profundo, uma vez que não muda as perspectivas para a economia americana e a atratividade dos títulos do Tesouro americano (Treasuries).
Alguns economistas, como o vencedor do Nobel Paul Krugman, questionam ainda o ‘timing’ da decisão. Para ele, não há fato novo que justifique uma avaliação de risco pior para os EUA agora.
Além do rating americano, Wall Street reagiu ao relatório de empregos da ADP, que registrou a criação de 357 mil postos de trabalho em julho. Embora tenha desacelerado ante junho (455 mil), o número veio bem acima da previsão de 175 mil e deve ser visto pelos dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA ) como mais um sinal de resiliência da economia ante o aperto monetário conduzido pela entidade.
Edward Moya, analista-sênior da Oanda, avalia que as próximas 48 horas serão “cruciais” para definir o sentimento por risco do mercado, que aguarda pelos balanços de Amazon e Apple e a leitura de julho do relatório oficial de empregos dos EUA, o chamado “payroll“.
— Foto: Scott Eells/Bloomberg







