O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), Rodolfo Saboia, disse nesta terça-feira (03) que havia uma “visão romântica” sobre a transição energética até a guerra na Ucrânia. Antes disso, as pessoas imaginavam que a substituição dos combustíveis fósseis pelas fontes renováveis seria mais “suave”. Para ele, porém, a mudança vai impactar preços, especialmente se houver algum “descompasso” na oferta.
De acordo com o diretor da ANP, o conflito entre a Rússia e a Ucrânia mostrou a “complexidade” em torno da segurança energética, por conta do elevado nível de dependência dos combustíveis fósseis. Em alguns momentos da guerra, a restrição na oferta de gás natural da Rússia gerou risco de desabastecimento e grande elevação de preços da energia nos países europeus.
“Havia uma visão romântica de que íamos passar dos combustíveis fósseis para os renováveis, e que isso ia ser suave, todos iriam ser felizes no dia seguinte”, disse o diretor-geral da ANP, na Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI) do Senado.
O diretor da agência avalia que a visão sobre a transição energética, agora, é outra. “Não vai ser nada disso. Vai ser uma transição cara. Não vai impactar somente a forma como a gente se locomove, vai impactar como a gente se alimenta, se veste, a nossa vida de maneiras inimagináveis”, alertou, durante audiência pública no Senado.
Em relação aos preços, Saboia ressaltou que a opção por fontes limpas, “uma prioridade do mundo para sobreviver às mudanças climáticas”, terá impacto cada vez maior.
“Essa transição energética será cara. Diferentemente de transições energéticas passadas, que foram movidas pela eficiência econômica, essa vai ser movida por um impulso ambiental. Requer a substituição de algo que é eficiente hoje, o combustível fóssil, por algo que não é, mas que não impacta o meio ambiente”, explicou o diretor-geral da ANP. “Isso vai ser caro, e muito caro”, complementou.
Durante a audiência, o representante da agência ressaltou que não existe uma “bala de prata” para substituir os combustíveis fósseis. Segundo ele, a solução passará por adotar um conjunto de fontes renováveis, entre elas a solar, a eólica, os biocombustíveis, o biogás, o hidrogênio verde. “Isso é um desafio a mais, porque requer uma capacidade de articulação de políticas governamentais complexas”.
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