Taxação de offshore: Saiba quais ajustes o relator estuda fazer no projeto | Política

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Relator do projeto de lei de tributação dos investimentos de pessoas físicas em fundos offshore (no exterior) e exclusivos (com poucos cotistas), o deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) estuda sugestões enviadas pelo governo e pelo mercado financeiro ao seu parecer e deve fazer novos ajustes até a votação – que pode ocorrer nesta quarta-feira ou na segunda-feira.

Um dos pedidos da equipe econômica do governo é para antecipar parte da arrecadação com a valorização dos investimentos offshore e dos fundos exclusivos para o ano de 2023. Pelo parecer atual, o pagamento sobre o estoque ocorrerá a partir de maio de 2024, com alíquota favorecida de 6% (o governo tinha sugerido uma cobrança de 10%).

A intenção é usar parte da arrecadação para elevar as receitas e diminuir o déficit fiscal de 2023.

Pedro Paulo disse ao Valor que ficou de estudar a sugestão e conversar com o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e com os líderes dos partidos para ver se há apoio. O Executivo ainda não informou estimativas sobre quanto será arrecadado com a nova alíquota.

Deputado Pedro Paulo — Foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados
Deputado Pedro Paulo — Foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados

Além disso, há outros pedidos de questões mais técnicas, que afetam setores específicos. As demandas foram levadas ao Ministério da Fazenda diante da edição de uma medida provisória (MP) e repassadas ao relator, com a sugestão de que sejam acatadas. Mas ele afirmou que ainda não decidiu e que estudará o assunto até a votação.

Entre as alterações solicitadas está reduzir o número de cotistas para que um Fundo de Investimento Imobiliário (FII) tenha isenção de imposto de renda sobre dividendos distribuídos. Hoje esse benefício é garantido para quem possui mais de 50 cotistas, mas o parecer eleva esse número a 500. A proposta é chegar a um meio termo, de cerca de 300 cotistas, e conceder um prazo para que esses fundos se adaptem à nova regra.

Outras mudanças em discussão, e que provavelmente serão acatadas, é garantir a isenção do come-cotas semestral do investidor não residente no Brasil que investir num fundo exclusivo, não instituir o come-cotas em fundo que investir mais de 95% de sua carteira em FII e Fiagro (que não pagam IR) e não cobrar imposto de renda na alienação de cotas.

Os “ajustes” no relatório não vão constar de um novo parecer e devem ser incorporados ao projeto apenas durante a votação em plenário, por meio de uma emenda aglutinativa. Lira tem defendido votar o projeto no plenário nesta quarta-feira, mas há líderes que reclamam da pressa e pedem o adiamento para segunda-feira para negociar mais com o governo.

Juros sobre Capital Próprio (JCP)

A ideia do relator de incorporar a este projeto a proposta de extinção do mecanismo dos Juros sobre Capital Próprio (JCP) não deve constar desses ajustes no relatório, a não ser que o adiamento da votação ocorra por mais tempo. Lira viaja para o exterior de 10 a 20 de outubro e, caso a deliberação fique para depois dessa volta, haveria mais tempo para fechar um texto.

Pedro Paulo defendeu tratar da JCP já neste projeto, mas a Fazenda não conseguiu elaborar uma proposta de remodelagem do mecanismo e discuti-la com o mercado a tempo de apresentá-la para votação ainda esta semana ou antes do feriado de 12 de outubro.

Para o relator, contudo, o fato de ter introduzido o assunto fez com que o debate público se volte para um aperfeiçoamento do mecanismo de forma a evitar o planejamento tributário abusivo e abriu caminho para que seja tratado mais para a frente pelo Congresso no projeto enviado pelo Executivo há um mês.

“Foi um baita avanço. Antes o debate era se manter ou acabar com a JCP. Agora a gente já está falando de uma espécie de ACE [Allowance for Corporate Equity]. Um monte de gente começou a entender que é melhor discutir um ajuste do que achar que isso vai ser tirado dessa discussão eternamente”, afirmou o parlamentar.

FONTE: GLOBO.COM