Um novo deslizamento de terra aconteceu na Rua José Orozimbo, no Bairro Santa Luzia, região Sul de Juiz de Fora, na noite de quarta-feira (22). Na manhã desta quinta (23), a reportagem da Tribuna esteve no local e ouviu de moradores a indignação pelo agravamento do problema, que persiste desde janeiro de 2020, quando parte da rua havia caído e impossibilitou a passagem de veículos pela via desde então. O trecho caído se aproximou de residências que seguem ocupadas, apesar de a Defesa Civil afirmar que as casas estavam interditadas preventivamente, deixando algumas famílias “ilhadas”, conforme relatos de populares.
Ao lado de dois filhos pequenos, de 5 e 6 anos, Rosana Maria Pimenta, de 46 anos, manifesta sua preocupação com a situação. Há seis meses, ela alugou uma casa próximo ao local do desabamento para poder cuidar da mãe, de 86 anos, que mora no final da rua e enfrenta problemas na coluna que dificultam sua locomoção. “Desde ontem, eu estou com medo, não consegui dormir à noite, e o engenheiro da Defesa Civil disse que, se cair uma casa, vem puxando as outras, e a minha casa é colada na que está mais perto de ser atingida”. Rosana alega ainda não ter recebido apoio da Prefeitura de Juiz de Fora (PJF) e, ainda que agentes do Município tenham afirmado que a residência dela não corre perigo, ela se diz receosa com a situação.
Além disso, a moradora ressalta que a parte que desabou impede a passagem das pessoas que vivem no final da rua, deixando mais de seis famílias “ilhadas”, sem poder sair de casa, relato reforçado por vizinhos. A mãe de Rosana é uma das pessoas nessa situação. “Minha mãe está presa lá atrás. Não tem como sair de casa para comprar um remédio, água ou comida, caso ela precise”. Alguns moradores também estão enfrentando a falta de água, pois as estruturas que permitiam o abastecimento caíram por conta do desabamento e do vazamento de esgoto.
Escadão pode ser alternativa
Há 26 anos, José Augusto Rossetti mora na Rua José Orozimbo e é outro morador afetado pela situação. Embora sua casa não tenha sido atingida por ficar localizada no final da via, ele e sua esposa se preocupam com o que possa vir a acontecer. Além disso, o morador diz que o escadão que dá acesso a via foi afetado e precisa receber uma limpeza para facilitar o deslocamento.
Por volta das 10h desta quinta, o Demlurb realizava a limpeza no escadão mencionado por José Augusto, que poderá ser usado como alternativa de deslocamento. De acordo com moradores, o escadão ainda sofre com a falta de iluminação pública. Esse último problema continua sendo uma demanda da população e gera insegurança durante o período noturno, conforme os moradores.
A Tribuna questionou a Prefeitura sobre as alegações dos moradores e aguarda resposta.
Deslizamento não afeta contenção, diz PJF
Três anos depois do desabamento de parte da Rua José Orozimbo, ocorrido em janeiro de 2020, a Prefeitura contratou empresa para realizar as obras de contenção no último mês de maio. Em contato com a reportagem, a Defesa Civil afirmou que o deslizamento “não afetou o andamento” da intervenção. Em visita das equipes da Prefeitura no local entre a noite de quarta e a manhã desta quinta, “foi constatado que a obra está segura e não será atrasada em função do deslizamento, já que o escorregamento aconteceu justamente em um ponto que receberia corte para construção de um muro de concreto armado com tirantes para garantir a estabilidade da encosta”, diz o órgão, por nota.
A Defesa Civil informou que 23 casas já estavam interditadas nas ruas José Orozimbo de Oliveira e José Nicodemos, além de afirmar que os “proprietários de alguns imóveis interditados, atendidos pelos auxílio-moradia, alugaram imóvel para terceiros”.
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