Os Estados Unidos manifestaram, neste sábado, a sua preocupação depois de o Supremo Tribunal de Justiça da Venezuela (TSJ) ter ratificado a desqualificação da candidata da oposição María Corina Machado para participar nas eleições presidenciais. Em razão disso, anunciou a revisão da política de sanções à Venezuela.
O TSJ confirmou na sexta-feira a inabilitação de 15 anos que o governo impôs a María e que a impede de exercer cargos públicos por esse período.
María, ex-deputada, pretende enfrentar o presidente Nicolás Maduro nas eleições de 2024. Em junho passado venceu as eleições primárias da oposição com mais de 90% dos votos e é a favorita para enfrentar o presidente — que está no poder desde 2013.
Os Estados Unidos estão atualmente “revendo” a política de sanções contra a Venezuela, afirmou um comunicado do Departamento de Estado, como consequência da decisão do tribunal e das recentes ações contra candidatos da oposição democrática e da sociedade civil, acrescentou.
O Departamento de Estado dos EUA disse que a desqualificação do vencedor das primárias da oposição democrática da Venezuela “é inconsistente” com o compromisso do governo Maduro de realizar eleições presidenciais competitivas. A medida “profundamente preocupante” vai contra o acordo de Barbados, que estabeleceu o roteiro eleitoral entre as delegações do governo venezuelano e a oposição.
Para os Estados Unidos, o processo conduzido pela Suprema Corte não concedeu a María a possibilidade de responder às acusações contra ela, faltando condições mínimas para sua defesa.
O coordenador da Plataforma Democrática Unitária, Gerardo Blyde, insistiu que “há uma violação do acordo” de Barbados e exigiu que a contraparte o respeite. Também pediu apoio da comunidade internacional para voltar ao caminho do acordo e fez um apelo direto aos presidentes da França, Emmanuel Macron, do Brasil, Luis Inácio Lula da Silva, e da Colômbia, Gustavo Petro, para atingir o objetivo.
Questionado sobre o anúncio de uma revisão das sanções dos Estados Unidos contra a Venezuela, esclareceu que “não estamos a pedir isso”, mas que “o que a administração (Joe) Biden vai fazer é uma questão soberana”. “A Venezuela precisa avançar neste processo eleitoral”, disse ele.
Em resposta a Blyde, o delegado do governo venezuelano para as negociações, Jorge Rodríguez, negou a possibilidade de reverter a decisão. “É uma questão de julgamento e não há absolutamente nada a debater sobre isso”, frisou.
“Que os Estados Unidos deixem que nós, venezuelanos, resolvamos os nossos problemas através de meios democráticos”, acrescentou. Rodríguez garantiu que as eleições presidenciais ainda estão em andamento e que poderão participar candidatos que cumpram as leis venezuelanas, mas “aqueles que apostaram nos golpes de Estado, no bloqueio, nas sanções, nos assassinatos terão que assumir as consequências”.




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