Lula diz que confia em Lewandowski e que não vai interferir na equipe da Segurança Pública | Política

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Na cerimônia da posse do novo ministro da Justiça e da Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira (1º), confiar no novo auxiliar e garantiu que não interferirá na equipe do novo integrante da Esplanada dos Ministérios. O petista disse ainda que Lewandowski terá que ter consciência de que, “qualquer coisa que der errado, a responsabilidade é sua”.

O ex-magistrado foi empossado no lugar de Flávio Dino, indicado por Lula como novo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) e que assumirá uma cadeira na Corte em 22 de fevereiro.

“Eu digo que costumo trabalhar estabelencendo relação de confiança com as pessoas. Lewandowski, eu tenho confiança em você e não vou interferir na sua equipe. Você só tem que ter consciência de que, qualquer coisa que der errado, a responsabilidade é sua. Você não precisa ter compromisso com pessoas ligadas ao Flávio Dino. É você quem tem que montar sua equipe para responder pela glória dos seus acertos”, disse Lula, para um salão lotado de magistrados, ministros, parlamentares e integrantes de órgãos do Poder Judiciário.

Logo no início de seu discurso, o petista destacou a presença de muitos magistrados da Corte, o que classificou como uma demonstração de afeto e reconhecimento ao novo titular do Ministério da Justiça. Ele também não economizou nos elogios a Dino, que deixa o posto após pouco mais de um ano de governo.

“Flávio Dino prestou um trabalho extraordinário como um homem da política. Ele não participou apenas como ministro, mas também contribuiu com o debate político toda vez que foi ao Congresso Nacional. Cumpriu com a tarefa magistral de ser ministro da Justiça”, afirmou o presidente.

“A chegada ao Senado é o céu na política, [o presidente do Senado, Rodrigo] Pacheco está com cara de quem está no céu. É um lugar extraordinário pela tranquilidade do Senado, mandato de oito anos, não precisa ficar indo para a rua a cada quatro anos sendo xingado. O Dino certamente sonhava com o Senado, mas eu fiz questão de persuadi-lo de não ir ao Senado e acho que foi uma decisão acertada”, emendou.

O mandatário destacou que sempre se martirizou quando tinha que escolher um nome para compor a Suprema Corte e reconheceu que se preocupava em escolher Dino para o STF em função da colaboração política que ele tinha com os partidos políticos. “Fiquei pensando e me veio a ideia de um novo desafio”.

Ao falar sobre a decisão de escalar Lewandowski para a pasta da Justiça, Lula brincou que, quando as pessoas deixam a Corte, elas pensam que vão “viver a vida que têm pela frente”.

“Eu fiquei pensando: eu não posso correr o risco de convidar o Lewandowski e ele não aceitar. Ouvi ele dizer que estava pensando no futuro, que a vida estava ficando razoável, na credibilidade que ele conquistou. Eu resolvi então dizer: Lewandowski, eu vou precisar de você. Eu sei que é difícil, não gostaria que você me respondesse agora. Converse com sua esposa e veja se ela concorda porque não quero criar conflito na sua casa”, contou Lula, arrancando risos dos presentes.

“Pensei que a conversa ia ser longa, fiquei dois dias esperando e nada do Lewandowski. O Lewandowski me ligou, então, e disse que conversou com a Iara. Ela disse: é isso que você quer? Então aceite”.

O petista disse ao novo auxiliar que, na prática, as coisas serão mais difíceis e voltou a exaltar Dino, a quem chamou de “homem de respeito”. “Lewandowski, na prática, no dia a dia, as coisas serão mais difíceis. A única coisa que quero que você saiba é que você está subsituindo um homem de respeito. Tenho certeza que, como o Flávio Dino, você vai passar para a história”.

Combate ao crime organizado

No final de seu discurso, o presidente defendeu a construção de uma parceria com os governadores para o combate ao crime organizado, que, segundo ele, “não é uma coisa de uma favela, cidade ou Estado”.

“É uma coisa de uma multinacional e está em todas as atividades desse país. Então, Lewandowski, o seu trabalho é de construir com outros países o enfrentamento de uma indústria do crime organizado”, concluiu o petista.

FONTE: GLOBO.COM