EU QUERO A SORTE DE UM MÊS TRANQUILO!

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(Por Rafael de Novaes Rocha)

Finalmente uma boa notícia para o cruzeirense: o mês de abril está acabando.

Uma vida em um mês. A longa travessia pelo calvário de um mês interminável. Turbulências atrás de turbulências, com requintes de crueldade.

Recapitulando aos que, por sorte, estiveram alienados nas últimas semanas.

Parece que foi há uma eternidade, mas iniciamos o mês com a expectativa real de um título. A vantagem na final do Mineiro, após arrancarmos um empate fora de casa, nos nutriu (falsamente) de esperanças de que a maré finalmente havia virado a nosso favor. O trágico fim todos nós sabemos. Título atleticano com virada vexatória dentro de casa. A partir daí, iniciou-se uma reação em cadeia de eventos caóticos. Após a esperada – e justa! – demissão de Larcamón, vem o segundo vexame do mês: na Sula, cedemos o empate ao possante Alianza Petrolera, após termos aberto 3 a 0, com direito a falha bizarra de Rafael Cabral. Falando nele, Cabral não resistiu às críticas que recebeu por mais uma fase horripilante e pediu para sair antes da estreia no Brasileirão. Iniciamos, então, o campeonato sem o técnico e sem o goleiro do nosso planejamento inicial. E logo na terceira rodada, fomos atropelados novamente pelo nosso rival, sem dó nem piedade. O horror, o horror! Daí teve o bandeirão do Ronaldo sendo queimado pela torcida; sinfonia de vaias todos os jogos; um frustrante empate com o Unión La Calera; saída de Pedro Martins (essa não tão ruim assim); até que chegamos ao fim do mês com a informação que ninguém esperava: a saída de Ronaldo do Cruzeiro.

Na verdade, sejamos francos, todos sabíamos que este momento iria chegar. Inclusive, já se tinha até mesmo a perspectiva da venda da SAF cruzeirense ao Pedro Lourenço. Ronaldo deu todas as dicas, todos os indícios. Mas o momento chegou antes do imaginado. No meio de uma temporada importante para o planejamento do clube nos próximos anos, e no ápice de uma turbulência. Belo timing!

Estaria mentindo se dissesse que a saída de Ronaldo e seu time de gestores faria limers não me deixou contente. O descaso com o torcedor e a fraca gestão do futebol eram consenso e impediam que Ronaldo tivesse muitos defensores fervorosos. E não havia perspectiva de qualquer melhora. Por outro lado, se as coisas não davam certo dentro de campo, fora dele, devemos reconhecer que a nossa casa foi arrumada. A situação do Cruzeiro era insustentável, falimentar, e o time de Ronaldo tem méritos por nos tirar da situação financeira calamitosa em que estávamos.

Mas me espanta que a decisão de Ronaldo tenha sido tomada desta forma, neste momento. Caindo fora do dia para noite, durante a temporada. A venda, pelo menos, foi para Pedro Lourenço, um cruzeirense – importante salientar – ao qual devemos muita gratidão.

Muitas transformações devem ocorrer ao longo das próximas semanas. O momento é de total incógnita. Quem sai? Quem fica? Conhecemos Pedrinho como benfeitor, mecenas, salvador, mas como será como dono do clube? Ele se cercará das pessoas certas? E quanto a Ronaldo? Sai como herói ou vilão? Esperamos poder responder a essas e mais outras angústias em breve.

E com a esperança de ter um mês de maio um pouco mais tranquilo.

BATE PAPO NO QUINTAL

1. Cruzeiro 3 x 1 Vitória – bom jogo do nosso time. Apesar das inúmeras chances perdidas, conseguimos dominar a partida com certa facilidade. É obrigação pontuarmos em casa contra adversários mais fracos se não quisermos passar sustos no fim do campeonato.

Algumas ressalvas: Lucas Silva não pode mais ser titular e o lance bisonho que protagonizou é prova disso; o Mineirão pode – e deve – ficar mais cheio; e Seabra pode aproveitar ainda melhor os garotos da base que, supostamente, conhece tão bem.

2. Novos nomes, velhos conhecidos – o momento do Cruzeiro é de transição. Não se sabe ao certo quem fica e quem sai, mas o departamento de futebol do clube deve ser profundamente reformulado. As saídas de Paulo André e Paulo Autuori já são certas. A vinda de Alexandre Mattos para assumir como diretor de futebol também parece uma certeza.

Especula-se o nome de Vanderlei Luxemburgo para assumir o lugar de Autuori na função de diretor técnico. Parece piada de mau gosto.

3. Gratidão! – não a Ronaldo, não a Paulo André, mas ao grandioso Paulo Autuori. Ele nos salvou na reta final do Brasileirão do ano passado em um momento complicadíssimo. Para sempre terá o meu respeito.

4. Sem responsabilidade – Me despeço por aqui, com apreensão e dúvidas sobre o futuro do Cruzeiro. Os próximos tópicos deste BATE PAPO são escritos pelo blogueiro titular. Não me responsabilizo por nada a partir daqui!

5. José Antônio estranha a inclusão do Criciúma em debate sobre a qualidade dos times que disputam a Libertadores e Sul-Americana:

“… Porque citar o Criciúma??? Eu nunca disse que o Criciúma tinha disputado nada que não disputou!!!”

Meu caro José Antônio, você já se esqueceu de que no intervalo daqueles torneios o modesto Criciúma veio à Arena MRV, pelo Brasileiro, e fez o Atlético sair sob vaias? Agora, pelo menos, não ficou tão feio, depois que os catarinenses deram de 4 no Vasco.

6. “Da azia ouvir certa crônica esportiva endeusando o Atlético.”

O texto saiu com erro crasso: asia, fruto de cochilo duplo na família Rocha (autor e revisor). Quem não perdoou foi Romulo. No primeiro comentário do BATE PAPO lançou maldosa dúvida psicanalítica: em verdade o blogueiro pensava em ânsia…

É possível.

Sempre fui adepto, no magistério, de processos mnemônicos pra auxiliar a memória dos alunos: prazo e atraso, o primeiro sempre a gente quer longo, por isto o z está no fim do abecedário; João tem jeito de querer canjica; estada e estadia, o último é próprio de navio; o “c” sozinho pega fogo (acender), mas com um “s” ele sobe (ascender); remissão (perdão) você pede na missa, remição (pagamento) é na Justiça; sessão com três “esses” só no cinema, mas antes tem de haver cessão do ingresso para o funcionário comparecer após sair de sua seção.

No caso de agora, azia, nos esquecemos de “azedume…”. Pobre do revisor. Multa salarial.

7. São Milito – Já há listas de subscrição pra Roma, pedindo a canonização de Gabriel Alejandro Milito, o treinador atleticano, tudo com a rapidez eletrônica de nossos dias. A observar. Nestes tempos, tornados malucos pela Internet, santos e demônios são construídos ou detonados em uma semana.

8. Revolução dos Cravos – O cinquentenário do movimento que restaurou a democracia em Portugal, comemorado quinta-feira, foi lembrado neste minifúndio por Teobaldo, nos brindando com significativo trecho do poeta Manuel Alegre:

“Foram dias, foram anos

A esperar por um só dia

Alegrias, desenganos

Foi o tempo que doía

Com seus riscos e seus danos

Foi a noite foi o dia

Na esperança de um só dia.”

Ainda nos quase 40 anos de terror, impostos pelo ditador, tinha um colega jornalista português que sempre dizia: “só acredito em democracia quando baterem na minha porta de madrugada e eu puder pensar que é o padeiro.”

Sob o lema “Deus, Pátria e Família”, com a justiça amordaçada, o legislativo fechado, Salazar manteve a tortura, os crimes bárbaros por motivação política, ou sem motivação, a insegurança absoluta no país. As vítimas não tinham uma porta, sequer, pra bater e pedir socorro.

9. Pedro Martins – Diretor de Futebol. Mil versões sobre a sua saída do Cruzeiro e entrada no Vasco. Vamos aguardar a verdadeira.

Às vezes demora.

Até hoje queremos saber o que aconteceu de verdade naquela madrugada em que SSR abandonou a comissão que havia nomeado pra assessorá-lo, inclusive o advogado, e foi se encontrar sozinho em São Paulo com Ronaldo para assinar o contrato de entrega do Cruzeiro.

10. Bernard J de Assis divulga entrevista de meu filho Fernando Rocha e destaca:

“ouça o trecho onde ele lamenta não ter no conselho da raposa membros em condições de fazer o mesmo que os investidores fizeram no Atlético. Fala que Medioli até tinha esta intenção, mas ele teve medo de enfiar a gana num buraco sem fundo (palavras dele) inclusive reclama que o time azul foi entregue a preço de banana ao Fenômeno.”

É verdade, mas não é a verdade toda. A entrevista é de uma hora e meia. Fernando faz ampla abordagem da diferença de formação dos Conselhos Deliberativos dos dois Clubes. Enquanto o Cruzeiro popularizava o Conselho, o Atlético elitizava. No momento de formar chapas dirigentes dentre os conselheiros habilitados surge a abissal diferença porque no Atlético praticamente se confundem conselheiros com investidores. Com isto, aos poucos, o Cruzeiro foi se consolidando como time do povo, origem hoje dos 13 milhões de torcedores, mas sem bolsos recheados disponíveis, dentro de casa, enquanto acontecia o contrário com o rival.

Aproveito para deixar aqui o link da excelente entrevista na íntegra:

11. Imponderável F. C. (e Inacreditável!) Wesley brilha no Internacional; Gilberto, no Juventude.

Precisamos compreender que jogador, pra atuar bem, depende de uma espécie de “ajuste cósmico” aí embutido alinhamento dos planetas, mapa zodiacal, pressões (arteriais e atmosféricas), graus de adaptabilidade de seu anjo da guarda e momento-família (ipsc – índice presencial de sogra e cunhado). Só essa tabela de algoritmos, decifrável pela I.A, explica porque, de repente, “cabeça de bagre” num time vira herói em outro.

12. João de Deus Filho, em diálogo com Bernard J de Assis, salienta o “mau humor” do blogueiro face os últimos resultados do Cruzeiro, contra o Atlético e o Union, concluindo:

“Meu caro Bernard, a sorte do Dalai e de toda a torcida do Cruzeiro é que inveja não mata. Se fosse fatal, não existiria mais nenhum torcedor azul no mundo.”

João, João, há meio século a gente cantava nas arquibancadas – “Não ganha nada, time sofredor…” – ali começamos a perceber que, de fato, inveja não mata…

GARIMPO

“O destino mistura as cartas, mas nós as jogamos.”

(Shakespeare)

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do Portal UAI.

FONTE: GOOGLE NOTÍCIAS