Em almoço com empresários de BH, Galípolo explica por que Copom cogita elevar taxa Selic

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A mudança de câmbio dos últimos meses, o crescimento econômico brasileiro e a oscilação da expectativa em torno da política monetária dos Estados Unidos justificam a decisão do Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) de deixar claro ao mercado financeiro que existe uma real possibilidade de aumentar a taxa Selic, hoje em 10,5% ao ano, num breve futuro. Este foi um dos temas trazidos pelo diretor de Política Monetária do Banco Central, Gabriel Galípolo, em uma edição do projeto Conexão Empresarial nesta segunda-feira (19).

A variação do preço do dólar foi um dos pontos destacados por Galípolo, em uma conversa de 40 minutos com empresários mineiros no Espaço Meet. “Temos a perspectiva de um real mais desvalorizado. Saímos de março com uma projeção de valorização no câmbio, de R$ 4,95, R$ 5, para dali um tempo o câmbio chegar a R$ 5,90, e hoje estar em torno de R$ 5,40. Além dessa variável, temos também um crescimento econômico, uma atividade econômica maior do que a esperada, mais resiliente”, afirmou. 

Apontado por jornalistas e analistas de mercado como o possível nome a ser escolhido pelo presidente Lula para ser o presidente do Banco Central, quando se encerrar o ciclo de Roberto Campos Neto, Galípolo fez questão de reforçar que tem uma linha de pensamento consonante com os outros dez membros do Copom.

Segundo ele, algumas pessoas interpretaram que ele estava com discurso diferente do comitê ao dizer que o país vivencia uma balança de riscos assimétricos. “De forma nenhuma isso mostra uma dissonância do que foi dito na ata. Vários membros (do Copom) veem que há uma balança de riscos assimétricos considerável, há vários membros que indicaram que existe mais risco de alta da inflação”, disse o diretor. “A gente vive uma situação desconfortável e é necessário sentir uma melhor nessas variáveis para que a gente possa sentir um conforto no atendimento à meta de inflação”.

Galípolo explicou ainda aos empresários por que a política monetária brasileira leva em conta a taxa básica de juros dos EUA, além dos indicadores econômicos do país mais rico do mundo. Vale lembrar que o Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros no mês passado, mas indicou que deve iniciar os cortes na próxima reunião. 

“Não ter uma aterrissagem, ou seja, uma atividade mais aquecida, levantaria dúvidas se os EUA teriam que conviver com taxa de juros mais alta por mais tempo, o que costuma ser adverso, vamos dizer assim, para economias emergentes. Mas também uma redução muito abrupta da atividade da economia norte-americana poderia provocar uma aversão a risco, o que costuma ser ruim especialmente para economias emergentes.”

Questionado pela reportagem de O TEMPO por que o Brasil continua a estar no topo do ranking dos juros reais mais altos do mundo, mesmo tendo uma inflação controlada há mais de um ano e meio, Galípolo fez questão de reforçar que a meta de inflação é 3% – e não 4,5% por conta da tolerância do acréscimo de 1,5%. Atualmente, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) é de 4,5% e o menor valor dos últimos meses do indicador foi de 3,69%, calculado em abril deste ano. 

Juros reais são a diferença entre a taxa básica e a inflação do momento. Turquia e Rússia são os únicos países atualmente com juros reais maiores do que o Brasil. “A meta é 3%. A banda acima da meta existe para aliviar o impacto que possa existir, um choque temporário”, argumentou Galípolo. “Com certeza existe um amplo debate na sociedade de por que razão o Brasil convive com uma taxa de juros que é considerada mais elevada quando comparada com os seus pares. Mas é um assunto absolutamente mais estrutural”, completou. 

 

FONTE: GOOGLE NOTÍCIAS