Sob pressão de Javier Milei, conhecido por sua postura negacionista frente ao debate climático, a delegação argentina na COP29, realizada em Baku, no Azerbaijão, se retirou das sessões. O presidente argentino está nos EUA para participar da Conferência de Ação Política Conservadora, que acontece entre os dias 14 e 16 na Flórida, onde já se encontrou com o presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem compartilha a mesma aversão às políticas climáticas.
A presença da Argentina na COP29 foi marcada pela falta de representação oficial. Em vez de uma delegação da Chancelaria, como nos anos anteriores, o governo enviou técnicos do Ministério do Turismo e Esporte, sem um ministério específico para o meio ambiente, observa o jornal argentino El Clarín.
A ausência de maior envolvimento também foi notada pela falta de reuniões com representantes das províncias, ONGs, sindicatos e outras entidades, rompendo uma longa tradição de engajamento do país nas reuniões climáticas da ONU. E também causou surpresa nas negociações do G77 e do Grupo Sur, dois blocos nos quais o país participa dentro das negociações.
Enquanto isso, outros países vizinhos se destacam, ressalta o jornal, como o Brasil, com debates constantes em seu estande, e o Chile, que teve uma participação significativa ao lado da Islândia.
A secretária de Meio Ambiente da Argentina, Ana Lamas, confirmou ao The Guardian a decisão do governo de retirar o país das negociações da COP29, conforme relatado inicialmente pela rede Climatica. “É verdade. Temos instruções do Ministério das Relações Exteriores para não participar mais. Isso é tudo o que posso dizer”, afirmou. Ela não respondeu se a Argentina pretende sair do Acordo de Paris.
Javier Milei já afirmou anteriormente que a crise climática é uma “mentira socialista”. Durante a campanha eleitoral do ano passado, ele ameaçou retirar o país do Acordo climático de Paris, mas depois recuou dessa posição.







