Humberto Gessinger lança álbum que mistura inéditas e clássicos ao vivo e rejeita saudosismo: “Cada geração tem seu tempo”

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No ano em que comemora 40 anos de carreira, Humberto Gessinger lança seu quinto álbum solo, “Revendo o que Nunca Foi Visto”, disponível em streaming, CD, LP e até cassete. O projeto, que mescla passado e presente, traz duas faixas inéditas gravadas em estúdio ,“Paraibah” e “Sem Piada Nem Textão”, e dez canções ao vivo registradas em janeiro deste ano, durante a turnê “Acústicos Engenheiros do Hawaii” em São Paulo.

Em entrevista exclusiva ao ROCKline, Gessinger contou os bastidores do projeto e refletiu sobre sua trajetória artística. Confira!

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Foto: Divulgação

Para ele, unir canções inéditas a discos ao vivo é uma prática que acompanha sua carreira desde o final dos anos 1980. “Desde 1989, no ‘Alívio Imediato’, gosto de incluir faixas inéditas nesses álbuns que, em geral, olham pro passado. Acho legal reler sucessos, mas também é importante olhar pra frente”, afirmou.

Falando em futuro, as duas faixas novas revelam diferentes vertentes da sonoridade de Humberto Gessinger. “Sem Piada Nem Textão”, gravada em Porto Alegre com músicos da quarta formação dos Engenheiros do HawaiiAdal Fonseca (bateria), Luciano Granja (violão) e Lúcio Dorfman (teclados) – fala sobre buscar simplicidade em tempos caóticos.

“Me parece que hoje todo mundo vive alguns tons acima pra euforia, pro desespero, pro deboche, pra indignação. A vida virou uma sequência de reações intensas, e eu quis escrever uma música que fosse o oposto disso. Algo mais sereno, que nos lembrasse do que é essencial, do que realmente fica. A gente precisa resgatar essas permanências”, conta.

“Paraibah” é resultado de uma parceria com Chico César, que também participa nos vocais. A gravação começou no lendário Estúdio Atlantis, em Estocolmo, com o músico brasileiro radicado na Suécia Rubem Faria. “É uma música que fala sobre a importância da arte e da imaginação pra furar bolhas e aproximar pessoas”, diz Gessinger, que gravou violão de 12 cordas enquanto Rubem assumiu o baixo acústico.

“É uma canção (‘Paraibah’) que me trouxe muita felicidade. Tive só um encontro rápido com o Chico, num voo, mas a conexão veio depois. Ele leu umas entrevistas minhas, me mandou uma mensagem e surgiu a ideia de compor juntos. Foi tudo muito natural, bonito e simbólico,” revelou.

Uma trajetória que respeita o passado, mas caminha adiante

O título “Revendo o que Nunca Foi Visto” remete à canção “O Papa é Pop” e marca o espírito do álbum: um olhar para o repertório construído ao longo das décadas, sem abrir mão do ineditismo. Entre as faixas ao vivo, estão clássicos como “Era Um Garoto Que Como Eu Amava Os Beatles e Os Rolling Stones”, “Piano Bar” e “Toda Forma de Poder”.

Foto: Luigi Vieira

Ao revisitar a própria obra, Humberto Gessinger também reflete sobre as transformações no mercado e na escuta do público:

“A tecnologia mudou tudo, a forma de gravar, de divulgar, de consumir música, mas existem aspectos que continuam essenciais. A arte ainda é sobre conexão, sobre a experiência humana. O palco, o olho no olho, isso nunca vai perder o valor”, pontua.

Sem fronteiras ou rótulos

Crítico das segmentações rígidas entre gêneros musicais, Gessinger evita rotular sua obra como “rock”, “MPB” ou qualquer outro termo limitante. “Na minha cabeça, tudo faz parte do mesmo universo. Nunca enxerguei esses limites com clareza, e sinceramente, acho que eles mais atrapalham do que ajudam”, comenta.

Sobre o atual cenário da música brasileira, ele adota uma postura empática:

“Sempre me perguntam se a música perdeu qualidade, se as letras já não são como antes. Mas eu não embarco nessa nostalgia moralista. A geração de hoje enfrenta um mundo completamente diferente. Não tenho ideia de como seja montar uma banda hoje. As dificuldades, os caminhos, tudo mudou. E cada geração encontra sua forma de expressão dentro da realidade que vive.”

Ele continuou: “Música não é só para o momento do sucesso, do mainstream. É pra sempre. Mesmo que um dia eu pare de tocar em público, vou continuar compondo, tocando aqui em casa. É assim que eu vejo a música, como algo que me acompanha desde menino. E tem coisas que, felizmente, não mudam: até hoje, quando ouço uma música que me toca, é o mesmo Humberto de 12 anos sonhando em ter uma guitarra.”



FONTE: PORTAL POP LINE &GOOGLE NOTÍCIAS