Com uma estética que flerta com o retrô e uma sonoridade pop que transita entre o vintage e o contemporâneo, Maria Miranda apresenta ao público seu single de estreia, “Cadela”. A faixa chega acompanhada de um lindo videoclipe gravado em película 16mm no centro histórico de São Paulo e marca o início de uma trajetória que promete equilibrar suavidade e perspicácia.
Em entrevista ao POPline, a artista gaúcha falou sobre suas referências musicais, o contraste entre sua imagem e sua música, deu sua opinião sobre o cenário pop nacional e adiantou os próximos passos da carreira, com direito a álbum de estreia para 2026.
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Foto: Divulgação
Natural de Porto Alegre, Maria Miranda descobriu cedo a conexão com a música. Participou de corais, estudou no projeto Prelúdio, que tem como proposta desenvolver a musicalidade de crianças e jovens, e formou banda na adolescência. Apesar de não ter familiares artistas, a cantora seguiu no caminho com coragem.
“Parece que a música já tava ali, sempre esteve na minha vida, desde muito pequena. Com cinco anos, comecei a fazer aula de canto e flauta doce, e nunca mais parei. Participei de corais, toquei em bandas… Aos 15 anos eu já tinha certeza que queria seguir na música,” contou.
Fora do eixo Rio-São Paulo e muito determinada, ela começou a se expor cedo:
“Quando saí da escola, montei um plano na minha mente. Lancei meu primeiro single independente e, mesmo que não fosse do jeito que eu queria, foi importante. Às vezes a gente tem que fazer na cara e na coragem. Mesmo que alcance poucas pessoas, se for verdadeiro, vale”.
Foto: Divulgação
Antes de “Cadela”, Maria lançou quatro faixas de forma totalmente independente no YouTube, período em que chamou atenção de Pedro Tófani e Zebu, da UFO Sounds, hoje seus parceiros criativos. Embora as canções já não estejam mais disponíveis na plataforma, elas foram fundamentais para a profissionalização da artista.
“Cadela”
O título provocativo do single de estreia de Maria Miranda contrasta com a sua imagem delicada. “Cadela” nasceu justamente desse equilíbrio entre estética e atitude, resultado de um processo criativo colaborativo intenso com Tófani e Zebu.
“Tenho uma sinergia muito boa com o Pedro e o Zebu e fico muito à vontade. Minhas ideias não são subjugadas ou menosprezadas, mesmo eu sendo nova. A gente está num ambiente muito livre. Somos amigos”, explica.
Já sobre a letra afiada e aprovação de terceiros, seja o público, familiares ou amigos próximos, ela diz:
“Existe um estigma de que garotas não podem sentir desejo ou cantar sobre isso. Pra mim, não é problema se não é o que esperam. Contanto que eu seja fiel ao que canto, tá tudo certo. A música fala sobre um cara burro e até satiriza essa situação. Não é sobre submissão, é sobre rir de algo que poderia ser pesado.”
O clipe, que tem direção assinada por Pedro Tófani e direção de fotografia de Dariely Belke, sintetiza a proposta artística de Maria e o novo momento de sua vida pessoal: aterrissando em São Paulo, ainda sem muitos laços com a selva de pedra. A melancolia implícita na música aparece também no audiovisual, cuidadosamente registrado em película 16mm:
Foto: Divulgação
“Quando a gente tá em estúdio, as ideias vão surgindo. A ideia (do clipe) chegou de uma troca com o Pedro e acho que a gente não pensou em algo muito mirabolante, sabe? Era uma coisa mais casual. Gravar em filme, que eu amo também, acho que é uma coisa linda. Traz um resultado diferente do que se faz digitalmente. Além disso, ao mesmo tempo que eu tava gravando, eu tava conhecendo a cidade e certos lugares do centro de São Paulo que eu não tinha ido ainda.”
Referências e identidade
Sua identidade musical mistura diferentes épocas e estilos. “Rita Lee e Marina Lima são cruciais pra minha construção. Gosto muito de cantoras da rádio dos anos 50 e 60, como a Maysa. Tenho uma fixação por anos 50 e 60, tanto esteticamente quanto sonoramente, é algo que gosto desde criança”, conta.
Para além da valorização e apreço pelo que veio antes, Maria Miranda também está atenta ao que há na cena musical atual. Ela lista o Silk Sonic, projeto de Bruno Mars e Anderson .Paak, e Kali Uchis entre os artistas que lhe servem como referência e tocam em seus fones.
Apesar de estar inserida no pop, Maria não sente necessidade de se encaixar em rótulos ou se enquadrar no que já está proposto na cena nacional, até porque ela tem apenas um single:
“O visual tá lá, a linguagem tá lá, é pop. Mas não sinto necessidade de me encaixar em rótulos. Faço o meu som e acho que, com o tempo, isso vai ficar mais claro pras pessoas”, afirma.
Já sobre o pop brasileiro, ela acredita que ele está cada vez mais diverso: “Ainda existe esse lance de sermos reféns do pop funk, mas já tem artistas fazendo coisas diferentes. Eu me vejo na minha, fazendo o meu próprio som. Mesmo que as pessoas não entendam agora, daqui a um tempo vão entender quando enxergarem o pacote completo.”
Álbum de estreia em 2026
Para quem se encantou com “Cadela” e o estilo de Maria Miranda, as notícias são as mais positivas. Um novo single será lançado muito em breve e o “pacote completo” da cantora está em processo de criação e deve chegar aos tocadores de música no próximo ano. Segundo a própria, ele está “45% pronto”:
“Sonho com um disco há muito tempo. Sempre achei que ia acontecer, mas eu achei que ia demorar mais. Acho precioso amarrar as músicas, criar um mundo ali dentro e convidar pessoas para entrarem. Estou tão ansiosa que parece que vou nascer de novo. Diria que está 45% pronto.”
“Cadela”, de fato, é só o começo.







