Por: Antonio Pastori
Hoje, quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026, o Coral ALEGRIA DA CIDADE apresentou-se na Rádio Alternativa-FM 105,9. Além da maestrina Sofia Barretti, estiveram presentes as sopranos e contraltos: Maria Elvira de Jesus, Maria das Graças Soares,, Maria José Marciano, Maria José Lazarin, Terezinha Marciano, Valéria Mendonça da Rocha Mendes, Vera Lúcia Vale Cremoneze; e os baixos José Maria do Vale e Antonio Pastori.
O Coral entoou dezoito músicas Carnavalescas variando os estilos desde Marchinhas e Marcha-Rancho até Sambas renomados, músicas estão que são bastante populares que ainda estão na memória dos mais antigos. Infelizmente, elas não mais animam os blocos e raramente são cantadas nos modernos bailes de Carnaval, estilo pancadão.
As Marchinhas Carnavalescas surgiram no Rio de Janeiro no final do século retrasado (1899), quando a pianista e compositora brasileira Chiquinha Gonzaga compôs a primeira marchinha, o famoso “Ô Abre Alas”.
As Marchinhas caíram no gosto do povo brasileiro devido às seguintes características:
- Letras pequenas, simples e de fácil memorização;
- Ritmo alegre e rápido;
- Conteúdo as vezes irônico, as vezes humorístico, mas sempre de duplo sentido;
- Serviam como um canal para a crítica social, dando repercussão nacional aos problemas, casos e situações comuns daquela época.
- Chiquita Bacana (1949)
LETRA: João de Barro (Braguinha); MÚSICA: Alberto Ribeiro; INTÉRPRETE: Emilinha Borba (uma das Rainhas do Rádio).
CONTEXTO: Chiquita Bacana” é uma das mais famosas marchinhas de Carnaval brasileira, que satirizava o existencialismo e o nudismo, muito em voga da época e também homenageia à vedete e feminista Luz Del Fuego. O sucesso foi tão grande que a música ganhou versões internacionais, sendo gravada na Argentina, EUA, Itália, Holanda, Inglaterra e França.
Além da Emilinha Borba, foram Rainhas do Rádio: Linda Batista, Dircinha Batista, Marlene, Dalva de Oliveira, Ângela Maria, Dóris Monteiro, Mary Gonçalves e muitas outras mulheres, não tão famosas.
- Allah lá ô (1941)
LETRA: Nassara e MÚSICA: Haroldo Lobo; INTÉRPRETE: Calos Galhardo.
CONTEXTO: A canção foi inspirada no calorão do Rio de Janeiro que fez em 1940 e o compara ao calor do deserto do Saara, cuja cultura islâmica foi adicionada de forma bem-humorada para retratar o tórrido verão brasileiro, de um modo geral.
- Taí (1930)
LETRA & MÚSICA: Joubert de Carvalho, que compôs a música em menos de 24 horas após conhecer a Pequena Notável (Carmen Miranda), que é a intérprete da música.
CONTEXTO: A música “Taí” (originalmente intitulada “Pra você gostar de mim“), foi o primeiro grande sucesso de Carmen. A música é reconhecida como um dos maiores sucessos da carreira dela, e tornou-se um marco na música brasileira.
CURIOSIDADE: Os discos PRETOS de 78 RPM, feitos de goma-laca, material rígido e frágil, cada lado comportava cerca de 3 a 4 minutos de áudio e eram muito populares entre 1902 e 1964 no Brasil. O disco TaÍ vendeu mais de 35 mil cópias, um recorde para década de 1930. Esse disco, em bom estado, vale de R$ 250,00 a R$ 300,00 no Mercado Livre.
- As pastorinhas (1934/1937)
LETRA: Braguinha; MÚSICA: Noel Rosa; INTÉRPRETE: Sílvio Caldas.
CONTEXTO: As Pastorinhas é uma marchinha de carnaval que mescla a tradição folclórica natalina com o lirismo romântico. A música retrata a figura das pastoras, personagens de danças populares que homenageiam o menino Jesus, enquanto o eu-lírico expressa um amor platônico e apaixonado por uma “morena da cor de Madalena” que, segundo a tradição, tratava-se da personagem bíblica Maria Madalena, que foi a primeira pessoa a encontrar Jesus Cristo ressuscitado.
- Índio quer apito. (1960)
Composição: Haroldo Lobo e Milton de Oliveira; INTÉRPRETE: Walter Levita.
CONTEXTO: Trata-se de mais uma marchinha que utiliza o humor para retratar um choque cultural. A letra satiriza o encontro entre culturas ao mostrar um indígena recusando presentes comuns (colar) e pedindo um apito. O refrão “se não der, pau vai comer“, é uma ameaça brincalhona típica da época. A Marchinha foi inspirada em uma anedota envolvendo a primeira-dama Sarah Kubitschek, esposa do então Presidente do Brasil, o mineiro Juscelino Kubitschek, que teria tentado dar presentes “estranhos” aos indígenas, mas recebeu pedidos inusitados, evidenciando com isso, a falta de compreensão mútua. Recentemente essa Música voltou a ser tocada em bailes Funks, interpretada por outros artistas, como o funkeiro Mr. Cotra, em uma versão pancadão, e regravada por DJs conhecidos da galera jovem.
- Trem das onze (1964)
LETRA e MÚSICA: Adoniran Barbosa; INTÉRPRETE: Adoniran e Demônios da Garoa.
CONTEXTO: Narra a história de um homem apaixonado que precisa deixar a namorada mais cedo para voltar ao bairro do Jaçanã, zona norte de São Paulo. A letra reforça o amor filial, destacando a necessidade d´ele pegar o último trem, pois a mãe não vai dormir enquanto ele não chegar.
- Oh! Jardineira (1939)
LETRA: Humberto Porto; MÚSICA: Benedito Lacerda; INTÉRPRETE: Orlando Silva.
CONTEXTO: Famosa marchinha de Carnaval que utiliza a metáfora de uma jardineira triste pela perda de sua camélia (flor vistosa e de grande beleza) para falar sobre superação e consolo. A música reflete sobre as decepções, perdas amorosas e tristezas passageiras. O objetivo é consolar a jardineira, afirmando que ela é mais bonita que a flor perdida, incentivando a alegria e a valorização própria.
- Daqui não saio (1949)
LETRA: Paquito; MÚSICA: Romeu Gentil; INTÉRPRETE: Paquito.
CONTEXTO: Essa é mais uma das crônicas sociais bem-humoradas. Nesse caso, o tema é a luta pelo direito de moradia e a resistência contra despejos no Brasil. A letra, com a famosa frase “Daqui não saio, daqui ninguém me tira“, reflete a determinação popular, o sagrado direito ao lar e a esperança de dias melhores, mesmo diante de dificuldades econômicas. Naquela época não haviam programas populares de moradia e houve muita remoção de casas para abertura de ruas e avenidas no Rio de Janeiro. A demolição do Morro do Castelo e a abertura da Av. Presidente Vargas, são dois exemplos.
- Bandeira Branca (1970)
LETRA: Max Nunes; MÚSICA: Laércio Alves; INTÉRPRETE: Dalva de Oliveira.
CONTEXTO: Simboliza o fim de um conflito amoroso, pedindo paz e trégua diante da dor da saudade. A metáfora da “bandeira branca” representa a rendição emocional e a busca por reconciliação. A Marcha-Rancho também ficou conhecida por “Hino da Saudade”, tornando-se um clássico do carnaval brasileiro, representando a resignação e o pedido de paz em meio a um “coração aos pedaços”.
- Yayá e Yoyô (1930)
LETRA e MÚSICA: Josué de Barros; INTÉRPRETE: Carmen Miranda.
CONTEXTO: Essa marchinha é uma celebração carnavalesca que utiliza termos carinhosos e informais, comuns na cultura brasileira da época, para retratar um diálogo amoroso e festivo. Yayá deriva da palavra iorubá Iyá, que significa “mãe”. No contexto brasileiro, especialmente histórico, tornou-se uma corruptela para significar “mamãe”, “senhora” ou era um termo carinhoso usado para se referir a moças e meninas. Yoyô é o equivalente masculino de Iaiá, usado para se referir ao pai, rapazes, senhores ou ao parceiro amoroso.
- Pó de Mico (1963)
LETRA e MÚSICA: Nilo Viana, Renato Araújo e Dora Lopes; INTÉRPRETE: Emilinha Borba.
CONTEXTO: A letra narra uma situação divertida de Carnaval onde alguém joga um certo pó (pó de mico) nos outros, causando uma coceira incontrolável e temporária ao entrar em contato com a pele, gerando confusão e risadas entre os foliões. Foi proibido o seu uso anos depois e, felizmente, caiu no esquecimento o pó, e não a música!
- A Banda (1966)
LETRA e MÚSICA: Chico Buarque; INTÉRPRETE: Nara Leão.
CONTEXTO: Trata-se de uma das músicas mais icônicas da MPB e vencedora do II Festival da Música Popular Brasileira, em 1966. A canção reflete a transição cultural dos anos 60. Possui uma letra aparentemente simples, mas repleta de significado poético, social e de resistência sutil contra a Ditadura militar vigente no Brasil nos anos 1960.
- Colombina Yê Yê Yê (1963)
LETRA: David Nasser; MÚSICA João Roberto Kelly; INTÉRPRETE: Roberto Audi.
CONTEXTO: Refere-se à representação musical e cultural da personagem clássica da Commedia dell’Arte italiana – a Colombina -, adaptada para o cenário carnavalesco brasileiro como um símbolo de feminilidade, astúcia e sedução. A marchinha representa a transição cultural dos anos 60 devido à influência dos novos estilos musicais que surgiam como o “Yê-Yê-Yê”, Twist, Rock’n’roll, que foram abraçados pela “Jovem Guarda brasileira”, abandonando o estilo tradicional dos antigos Carnavais, como se vê hoje em dia com pouco samba e muito pagode, sertanejo e pancadão.
- Até quarta-feira (1968).
LETRA: Humberto Silva; MÚSICA: Paulo Alves Sette; INTÉRPRETE: Marcos Moram.
CONTEXTO: A expressão título da marchinha, destaca a tolerância e a descontração do Carnaval, onde regras cotidianas são suspensas, mas têm um fim definido na quarta-feira. É o tema de músicas que celebram três dias de folia, onde “ninguém morreu” (vale tudo, com respeito) e a liberdade individual é respeitada até o fim da festa. A quarta-feira de cinzas é vista como o fim da “fantasia” e o início da “quaresma”, ou seja: a volta à realidade.
- Maracangalha (1956)
Letra, música e interpretação: Dorival Caymmi.
CONTEXTO: Simboliza a liberdade, a paquera e a malandragem baiana, baseado na desculpa de um amigo do compositor para encontros amorosos em “outros locais”. A letra destaca a determinação em ir bem vestido, a um lugar alegre, com “uniforme branco” e “chapéu de palha”, celebrando a independência ao afirmar que irá só, mesmo se a amada não aceitar o convite. Maracangalha existe de verdade e é um distrito do município de São Sebastião do Passé, na Bahia, localizado a cerca de 65 km de Salvador. Dizem que Caymmi nunca esteve lá…
- Mamãe eu quero (1937)
LETRA: Jararaca; MÚSICA: Vicente Paiva; INTÉRPRETES: Carmen Miranda e o Bando da Lua.
CONTEXTO: Trata-se de uma das marchinhas de Carnaval mais populares do Brasil. Ela simboliza a irreverência, a alegria e a malícia típica da festa, usando a inocência infantil e o duplo sentido para satirizar desejos e relacionamentos. Letra se utiliza de metáforas da infância para representar, no contexto Carnavalesco: a busca por prazer, diversão sem restrições e carências. A música aparece pela primeira vez para os americanos no filme Serenata Tropical (Down Argentine Way), estrelado por Carmen Miranda, em 1940. Fez tanto sucesso nos EUA que foi também incluída num desenho bastante hilário da dupla gato & rato (Tom & Jerry) em 1943.
- Aurora (1940)
LETRA: Mário Lago; MÚSICA: Roberto Roberti; INTÉRPRETE: Carmen Miranda.
CONTEXTO: Mais do que apenas dor de amor, a música reflete as expectativas sociais e papéis de gênero nos anos 1940, sugerindo que o amor e a sinceridade de Aurora a levariam a um casamento que mudaria a sua vida financeira. “Aurora” é uma crítica bem-humorada às expectativas de vida e casamento no Brasil da década de 1940, embalada pelo ritmo de Carnaval.
- Bicas Maravilhosa (2025), é a nossa última música.
Trata-se de uma adaptação feita pela Maestrina Sofia, com base no Hino “Cidade Maravilhosa”, de 1943, de autoria de André Filho. O Hino de 1943 é uma exaltação Carnavalesca ao Rio de Janeiro, Capital do Brasil naquela época, consolidando a cidade como “Coração do Brasil” e berço do samba. A letra celebra a beleza paisagística, a modernização da época e o amor dos cariocas, descrevendo o Rio como um recanto de sonho e de luz, bem diferente do que é hoje.
A próxima apresentação do Coral na Rádio Alternativa (a mais ouvida), será no dia 06 de março, em homenagem ao Dia da Mulher.








