Castrar é um ato de coragem e de responsabilidade

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Além de evitar crias indesejadas, procedimento protege a saúde do animal e da comunidade

Falar sobre castração ainda é um tabu para muitos tutores. Mas quem trabalha com bem-estar animal é direto: não castrar também é uma escolha, e ela tem consequências.

Castrar um animal é cuidado. O procedimento reduz drasticamente o risco de tumores e infecções graves, e aumenta a expectativa de vida de cães e gatos. Os benefícios para a saúde do animal são comprovados e significativos.

Mas há um aspecto que costuma passar despercebido: a castração também é uma questão de saúde pública.

A superpopulação de animais nas ruas está diretamente ligada ao aumento de zoonoses, que são doenças transmissíveis de animais para seres humanos. Menos animais abandonados significa menos vetores de doenças, menos sofrimento e mais equilíbrio para toda a comunidade.

Em Minas Gerais, a iniciativa já saiu do papel. Graças a projetos do deputado estadual Noraldino Jr, unidades móveis de castração percorrem os municípios mineiros oferecendo o serviço de forma totalmente gratuita à população. A medida leva o atendimento direto a quem mais precisa, eliminando barreiras de acesso e ampliando o alcance das políticas de bem-estar animal no estado.

Para quem mora em MG, vale verificar quando a unidade móvel passa pelo seu município. Para os demais estados, muitas prefeituras e organizações de proteção animal também oferecem campanhas periódicas de castração a baixo custo ou gratuitas. O serviço existe justamente para que a falta de recursos financeiros não seja um obstáculo. Vale pesquisar o que está disponível na sua região.

Cuidar de um animal é pensar no futuro dele e no de tantos outros.

Kátia Dias

Protetora e Ativista da Causa Animal em MG

COPA DO MUNDO É FESTA!

MAS OS ESTAMPIDOS MACHUCAM QUEM VOCÊ NÃO ESTÁ VENDO

Fogos comemorativos afetam animais, crianças, idosos e pessoas com TEA

Os jogos começaram. Com eles vieram a rua cheia, o grito coletivo, a emoção do gol e os fogos de artifícios. Mas enquanto boa parte do Brasil comemora, há quem sofra em silêncio a cada estampido.

Os animais são os primeiros a sentir. O ouvido de cães e gatos é muito mais sensível que o humano. Um barulho alto para nós é ensurdecedor para eles.

A cada rodada da Copa, os registros de animais perdidos disparam: eles fogem em pânico, desorientados, e muitos nunca voltam para casa. Outros se machucam tentando escapar, pulando muros, arranhando portas. E, em casos mais graves, o estresse intenso pode provocar parada cardíaca.

Mas os animais não são os únicos prejudicados com os barulhos: Crianças, idosos e pessoas com TEA também sofrem.

Crianças pequenas não compreendem o que está acontecendo. O barulho violento e repentino no meio da noite é profundamente assustador, e o susto repetido jogo após jogo pode deixar marcas.

Para pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), os estampidos são um gatilho sério. Sons altos e imprevisíveis causam sobrecarga sensorial e crises de angústia que fogem ao controle. Não é exagero, é o sistema nervoso reagindo a algo que ultrapassa seu limite.

Os idosos também estão no grupo de risco. O coração envelhece, e um susto forte pode desencadear arritmias, elevar a pressão e provocar quedas. Para quem convive com ansiedade ou carrega traumas, cada estampido é uma nova agressão.

A Copa dura semanas. São muitos jogos, muitas noites, muito acúmulo.

O que você pode fazer?

Se vai comemorar, considere trocar os fogos com estampido por fogos de luz, buzinas, apitos ou batucada. A festa fica igualmente bonita e muito mais inclusiva.

Se tem um animal em casa, prepare o ambiente antes dos jogos: janelas fechadas, um cantinho seguro e música ambiente para abafar o barulho externo. Se o animal tem histórico de pânico, consulte o veterinário antes da próxima rodada. Existem recursos que ajudam, e é melhor agir antes do que remediar depois.

Torcer com consciência também é parte do jogo.

Vibrar pelo Brasil é lindo. Mas o maior time do mundo merece uma torcida que também cuida, que pensa no vizinho, no animal, na criança, no idoso, na pessoa que não consegue explicar por que aquele barulho a destrói por dentro.

Dá para comemorar com força e com consciência ao mesmo tempo. Basta escolher.

Toda vida importa. Dentro e fora de campo.

 Kátia Dias

Protetora e Ativista da Causa Animal em MG