Lula vai adotar plano de Lara Resende para reduzir a Selic? Entenda tudo

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Uma proposta do economista André Lara Resende, um dos formuladores do Plano Real, para reduzir a taxa básica de juros (Selic) de 13,75% para 7,5% ao ano em apenas 12 meses entrou no debate político e econômico brasileiro. A possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) analisar a ideia provocou reações no mercado financeiro e levou o Ministério da Fazenda a se manifestar.

Segundo reportagem publicada pela Folha de S.Paulo no domingo (1º), a proposta despertou interesse de integrantes do governo e de dirigentes do PT. O plano prevê mudanças na relação entre as políticas fiscal e monetária, com o objetivo de reduzir o custo da dívida pública e permitir uma queda mais rápida dos juros.

Apesar da repercussão, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que a proposta não está sendo discutida pelo governo e negou a existência de uma reunião agendada entre Lula e Lara Resende.

“Não tem”, respondeu Durigan ao ser questionado pelo SBT News sobre a existência de discussões internas a respeito do plano. Em seguida, acrescentou: “Sem reunião”.

O que propõe André Lara Resende?

O economista defende que os juros elevados estão entre os principais responsáveis pelo crescimento da dívida pública brasileira. Sua avaliação contraria a interpretação de economistas que atribuem o problema principalmente ao desequilíbrio das contas públicas e à necessidade de maior controle dos gastos.

Em artigo publicado em 25 de setembro, intitulado “Eu acuso: uma proposta para eliminar as taxas de juros absurdas do Brasil”, Lara Resende apresentou um modelo que prevê a criação de um Conselho Fiscal e Monetário Nacional (CFMN).

O órgão seria responsável por estabelecer metas integradas para as políticas fiscal e monetária, com planejamento de quatro a cinco anos.

Pela proposta, a Selic passaria a operar dentro de um intervalo definido a partir da meta de inflação e do crescimento potencial da economia. O Banco Central continuaria responsável pela execução da política monetária, mas teria sua atuação condicionada às diretrizes do novo conselho.

“Só em casos excepcionais, autorizados pelo CFMN, a taxa básica poderia ser inferior ao piso […] ou superior ao teto […] do intervalo”, escreveu Lara Resende, em trecho de seu artigo reproduzido pelo SBT News.

O plano também prevê uma redução gradual da Selic até aproximadamente 7,5% ao ano em 12 meses. O economista sugere ainda a possibilidade de utilizar parte das reservas internacionais brasileiras para conter eventuais pressões sobre o dólar durante a transição.

Por que a proposta preocupa o mercado financeiro?

A possibilidade de limitar a Selic por meio de diretrizes políticas provocou preocupação entre gestores de instituições financeiras.

Segundo a Folha, representantes do mercado avaliam que uma redução acelerada dos juros, sem mudanças suficientes nas contas públicas, poderia provocar desvalorização do real, saída de investimentos do país e aumento da inflação.

Outro ponto de preocupação é a autonomia do Banco Central, responsável atualmente pelas decisões sobre a taxa básica de juros por meio do Comitê de Política Monetária (Copom).

Lara Resende, por outro lado, sustenta que os juros elevados aumentam os gastos do governo com a dívida pública, dificultando a estabilização das contas nacionais.

A dívida bruta brasileira está próxima de 83% do Produto Interno Bruto (PIB), segundo os dados citados pela Folha. Para o economista, a redução do custo dos juros seria uma das medidas necessárias para interromper essa trajetória.

O que Lula e o PT disseram sobre o plano?

A proposta ganhou repercussão depois que a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT) compartilhou nas redes sociais o artigo publicado por Lara Resende.

“Artigo de André Lara Resende, publicado em 25 de setembro, é fundamental para enfrentar essa ofensiva terrorista sobre a política fiscal brasileira”, escreveu a parlamentar, segundo o SBT News.

A manifestação foi interpretada como um sinal de apoio ao debate sobre mudanças na política de juros, embora não represente uma decisão oficial do governo.

O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Aloizio Mercadante, também afirmou que a proposta não está em discussão no governo.

Já Durigan reforçou que não existe decisão para estabelecer limites administrativos à Selic ou utilizar as reservas internacionais como instrumento para sustentar uma redução acelerada dos juros.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, também defendeu a condução da política econômica pelo Ministério da Fazenda e criticou as especulações sobre eventuais mudanças.

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FONTE: GOOGLE NOTÍCIAS