IA, sim. Mas por onde começar? | Empresas

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Com o interesse crescente despertado pela inteligência artificial generativa, empresas de vários setores estão se movimentando para avaliar o impacto da tecnologia nos negócios e estabelecer um plano de ação. A adoção da IA parece inevitável em alguns segmentos, mas mesmo entre os gestores convencidos de suas vantagens persiste uma dúvida: afinal, como começar?

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que companhias com experiência em outros campos tecnológicos estão mais propensas a ingressar na inteligência artificial. “A IA não vai cair de paraquedas. As empresas precisam de bases para usufruir plenamente do que a tecnologia pode oferecer”, diz Luis Claudio Kubota, coautor do trabalho intitulado “Inteligência Artificial no Brasil: Produção Científica e Determinantes de Adoção pelas Empresas”. Organizações que usam internet das coisas têm 2,58 vezes mais chances de adotar IA. A proporção é de 2,12 vezes maior no caso do Big Data e de 1,71 vez no da nuvem computacional.

Um dos empecilhos para a adoção da IA, alertam especialistas, é a falta de mão de obra especializada. No Brasil existe um déficit de profissionais, que tende a se agravar se nada for feito. Mas o cenário começa a mudar. A Escola de Matemática Aplicada da Fundação Getulio Vargas (FGV Emap) vai formar sua primeira turma de graduação em ciência de dados e inteligência artificial no fim do ano. Outras instituições, como a Universidade Federal da Paraíba (UFPB), o Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (USP) e a Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) também criaram cursos na área. A combinação entre matemática e computação dá o tom dessas carreiras.

Ao que tudo indica, não faltará trabalho aos recém-formados. A inteligência artificial será a tendência com maior impacto no próximo ano, de acordo com o estudo “Panorama 2024”, feito pela Câmara Americana de Comércio (Amcham Brasil) e a Humanizadas, empresa de inteligência de dados. Mais de 60% dos 694 executivos consultados indicaram a IA como principal força de ruptura no ambiente de negócios, seguida da agenda ESG (de ações ambientais, sociais e de governança, com 51%).

No cenário internacional, dois nomes respeitados no meio tecnológico expuseram sua visão sobre a IA. A futurista americana Amy Webb, do Future Today Institute, afirmou que os CEOs que adotarem a IA apenas como forma de cortar vagas terão problemas. Já o francês Yann LeCun, cientista-chefe de inteligência artificial da Meta, controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp, afirmou que uma regulamentação prematura da IA pode acabar reforçando o domínio das “Big Techs”. LeCun disse que a capacidade de aprendizagem dos modelos atuais de IA generativa é menor que a de um gato e classificou de “absurda” a hipótese de que a IA venha a destruir a humanidade no futuro.

OpenAI e romances virtuais

O ChatGPT transformou a OpenAI em figura central da IA generativa. A startup estaria discutindo uma oferta pública para que os funcionários pudessem vender até US$ 1 bilhão das ações que detêm na companhia. A valorização chegaria a US$ 86 bilhões, três vezes mais que o estimado em abril (US$ 29 bilhões), quando a OpenAI levantou recursos com investidores privados.

Sam Altman, CEO da Open AI, não quer intimidades com a inteligência artificial. Ele criticou serviços como Meta AI e Character.AI (esse último tem como cofundador o brasileiro Daniel de Freitas) que permitem aos usuários conversarem com cópias digitais de personalidades, como se eles fossem pessoas reais. Na lista estão a cantora Taylor Swift, o jogador de futebol americano Tom Brady, Napoleão Bonaparte e Tony Stark, alter ego do Homem de Ferro. Altman disse “desconfiar” de visões tecnológicas em que amigos de IA venham a ser mais relevantes que pessoas de verdade.

E se você duvida que alguém vá preferir um amigo virtual a outro ser humano, melhor pensar duas vezes. O fim do Soulmate, um aplicativo de namoro baseado em IA, provocou protestos dos usuários, que tiveram de encerrar à força seus relacionamentos com parceiros que eles mesmos criaram no ciberespaço. “Chorei a noite inteira”, disse uma cliente de coração partido.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que companhias com experiência em outros campos tecnológicos estão mais propensas a ingressar na inteligência artificial — Foto: iStock
Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) mostra que companhias com experiência em outros campos tecnológicos estão mais propensas a ingressar na inteligência artificial — Foto: iStock

FONTE: GLOBO.COM